August 31, 2012

As duas faces do perdão

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Chérie,

o que é mais difícil para você: perdoar ou ter de pedir perdão (Mt 6: 12)?

Punk, não (Mt 7: 5)?!

Mas as duas atitudes são essenciais para se viver bem, para ter uma vida plena e abundante.

E se o agora é uma amostra do que vem pela frente (Mt 5: 25-26), é bom a gente começar a praticar logo, senão já viu (rs)...

Pense nisto ; )!

Bjs,

KT
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August 30, 2012

Senso de justiça

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Chérie,

é incrível como até crianças pequenas tem noção do que é justiça, do que é fazer a coisa certa.

É como o senso de honra e o de dignidade; não é preciso estudar para saber do que se trata porque está tudo interiorizado.

E mais: independe de sociedade, cultura, classe econômica ou faixa etária.

Por isto pense duas vezes antes de dar uma desculpa esfarrapada para as presepadas (rs)...

Bjs,

KT

PS- Quer pirar no corpinho (e refletir um pouco sobre o tema)? Vai lá: www.justiceharvard.org
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August 29, 2012

Uma pérola de grande valor ; )!

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Chérie,

Esta é uma das parábolas (Mt 13: 44-46) que não entendia direito, ou melhor, sabia mas não sentia.

A vida cristã é feita de fé e valor, por isto, a metáfora (e o convite) de abrir mão do que você já tem (que não é pouco) para algo maior, de valor inestimável.

Mas esta troca tem de ser feita com alegria, pois existe convicção de que o que você está adquirindo é muito mais precioso daquilo que já tem.

Não é com pesar, mas com alegria.

Capisce?

Não?! Calma, não se desespere (rs). No tempo certo você vai entender...

Bjs,

KT
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August 28, 2012

Tudo muito simples

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Você já se deu conta que Deus fez tudo simples e perfeito; é a gente que complica e estraga tudo (rs)?

Que necessidade doentia é esta que temos de complicar tudo?

Sabia que Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes e as coisas humildes do mundo, as desprezadas e aquelas que não são para reduzir a nada as que são (1 Co 1: 27- 28)?

Então, que tal abaixar um pouco a bola e voltar a ser criança?

PS- Não sabe o que significa ser criança? Vai lá: http://keilida.blogspot.com.br/2006/05/como-uma-criana-assim-eu-quero-ser.html
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August 27, 2012

Aceite a realidade como ela é

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Chérie,

para que dar murro em ponta de faca e se machucar? Que tal enxergar a realidade como ela é e não como você gostaria que fosse?

Pense nas vezes que em esteve descontente e verá que a expectativa que tinha sobre determinada situação era desproporcional à realidade (não é porque você deseja demais que algo aconteça que as coisas - ou pessoas - vão caminhar neste sentido).

Claro, se você quer, naturalmente fará a sua parte. Mas liberdade pressupõe escolha, e ninguém pode escolher pelos outros.

Quanto mais cedo você aceitar isto, mais apaziguado ficará.

E lembre-se: o resultado de uma equação matemática só muda quando pelo menos um algarismo é alterado.

Você não pode mudar os outros, apenas a si mesmo.

Um beijo,

KT
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August 26, 2012

Entra no teu quarto e fecha a porta

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Chérie,

existem momentos da vida que, por mais que esteja cercado de pessoas, você se sente só. E algumas dimensões pessoais são tão complexas que não é possível compartilhar com mais ninguém. Ao invés de pirar no corpinho, que tal entrar no seu quarto secreto, fechar a porta e orar?

Claro, a expressão 'quarto secreto' é metafórica. Mas você entendeu: é um lugar cujo acesso é limitado porque só você conhece; é só seu. Lá os telefones não tocam, você não é interrompido por demandas externas e tem de ser confrontado com aquilo que te incomoda sem possibilidade de fugir. Todo mundo tem um lugar assim (e se não tem, deveria ter).

Hoje a piscina representa isto para mim. É lá que desato os nós que me amarram, encaro os problemas e mergulho fundo nas hipóteses, medindo prós e contras, tentando descobrir o que Deus pensa e me submetendo a Ele.

É engraçado que quanto mais a gente busca profundidade, não se contenta com respostas rasas. Mas para mergulhar fundo, é preciso ter preparo, estrutura - para encarar a realidade: o mundo como ele é, as pessoas que não são como imaginamos que fossem e nós mesmos, com nossas sombras.

A verdade é o custo da liberdade (Jo 8: 32). Sim, assusta e doi porque não é nada confortável enfrentar os fantasmas, mas vale a pena. Hoje por exemplo descobri que o que sinto pelos outros não vai mudar (só o que sinto em relação a mim mesma).

Bom, amanhã tem mais (rsrsr).

Bjs,

KT
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August 25, 2012

Parece, mas não é

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- pr. Ricardo Barbosa

O apóstolo Paulo sempre recomendou o autoexame. No final de sua segunda carta aos coríntios ele sugere: “Examinem-se para ver se vocês estão na fé; provem-se a si mesmos”. Tenho pensado ultimamente sobre o quão real e verdadeira é nossa fé. Não estou preocupado com nossas convicções, mas se a fé que temos em Cristo é viva, real e verdadeira.

A cultura da aparência é uma das características mais cultuadas e criticadas da civilização pós-moderna. Acostumamo-nos a parecer aquilo que não somos. As imagens são retocadas; os currículos, maquiados; os entrevistados, treinados a dizer o que se espera deles. A tecnologia oferece cada vez mais recursos para isso.

Hoje temos ferramentas capazes de criar uma falsa realidade, e o real se torna cada vez mais insuportável. Fazemos de tudo para maquiar a velhice, mudando inclusive seu nome: agora se chama “terceira idade”. A alegria deixou de ser um estado da alma e tornou-se um produto que se adquire nas prateleiras das farmácias, em consultórios e em clínicas especializadas.

Nossa fé também sofre as consequências da cultura. Recentemente, eu meditava na pequena carta à igreja de Laodiceia no livro de Apocalipse, e me dei conta de que é uma igreja muito parecida com as que conheço. Percebi que, ao contrário das outras igrejas do Apocalipse, a de Laodiceia não tinha nenhum problema com as perseguições externas, nem com os falsos profetas - seu problema era ela mesma.

O diagnóstico que recebe é ela mesma quem dá: “Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma”. Não é necessário comentar sobre tal cidade e sua riqueza; detenho-me na relação entre a riqueza e a autossuficiência. Também não pretendo limitar o conceito de riqueza a algum padrão econômico, mas a um estado em que não criamos espaço para a dependência.

Nossas igrejas são assim. Somos ricos de gente brilhante e talentosa. Somos ricos de ideias, de conhecimento, de recursos e tecnologias. Temos músicos competentes, professores bem preparados, recursos de multimídia, acesso às modernas técnicas terapêuticas, desenvolvimento humano, dinâmicas que incrementam nossos relacionamentos e espírito de equipe. Somos abastados e, se precisarmos de alguma coisa, será de um “upgrade” em algum dos itens acima.

É claro que não há nenhum problema em ter pessoas talentosas e competentes na igreja. O problema está em “não precisar de coisa alguma”. Em outras palavras, o problema está em parecer que somos o que não somos. Laodiceia parecia rica, mas era pobre. Parecia conhecer tudo, mas era cega. Parecia bem vestida, mas estava nua. Parecia adorar, mas Cristo permanecia do lado de fora. Parecia que era, mas não era. É isto que a riqueza - tecnológica, científica, intelectual etc.- cria.

Nossas igrejas pensam que boa música é sinônimo de boa adoração; que ter uma boa doutrina e uma boa pregação significa ter uma boa espiritualidade; e que, por terem bons programas e projetos, têm uma missão. Porém, uma coisa não implica outra.

Por causa de sua riqueza e autossuficiência, Laodiceia tornou-se uma igreja morna. A mornidão é o estado de pessoas ou comunidades que não desejam nada, não sentem a ausência de nada, não buscam nada, não lutam por nada. Sentem-se confortáveis e acomodadas. O problema é que acreditam que já possuem tudo. É possível encontrar nessas igrejas muita gente animada, cantando e pulando, participando de projetos e programas; no entanto, o que há de real em tudo isso?

Laodiceia simboliza a igreja moderna e abastada, sem consciência do que lhe falta, sem desejo, confortável e morna. Uma igreja que tem tudo, mas não tem nada. Nesse autoexame proposto por Paulo, concluo que nos falta uma identidade primária, aquela que nos é dada pelo Senhor, fruto da união com Cristo, da comunhão, da relação de amor e dependência sem a qual tudo mais é apenas ilusão, aparência de algo que não mais existe.

Fonte: http://www.ultimato.com.br/revista/artigos/317/parece-ser-mas-nao-e
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August 24, 2012

Esses cristãos reflexivos

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- Brian McLaren

A diferença sempre foi vista com curiosidade ou estranheza. A cor de sua pele, por exemplo, pode tornar você um estranho em alguns cenários. Já seu poder aquisitivo ou sua educação têm a capacidade de fazer com que se destaque em determinados ambientes. Até mesmo seu estilo de adoração, a linha teológica que você adota ou sua preferência por algum partido político podem colocá-lo à margem – ou para além dela – em certos casos. A verdade é que ser, pensar, olhar ou agir de modo diferente da maioria pode empurrar determinado indivíduo para fora dos círculos sociais e religiosos.

Fato é que, nas nossas igrejas, sempre há uma pessoa, ou um grupo, que na maioria das vezes se sente diferente da maioria – e gente assim quase sempre é marginalizada. Dan Taylor, em The Myth of Certainty [O mito da certeza], chama essas pessoas de “cristãos reflexivos”. Os menos solidários classificam-nas como questionadoras da fé; e, muitas vezes, suas atitudes de inconformismo fazem com que se tornem desrespeitados em suas comunidades.

Como quase todos os protestantes sabem, no século 16 a Igreja Católica Apostólica Romana estava empolgada acerca da emissão das famigeradas indulgências. Elas eram alardeadas pelo clero como maneiras de reduzir o tempo das pessoas no purgatório através da doação de dinheiro ou bens à Igreja. Mas apesar da generalização de tal prática, muitas pessoas não se contiveram e questionaram o programa de indulgência proposto pelas autoridades eclesiásticas. Elas duvidaram do que a instituição sustentava com tamanha convicção, simplesmente porque aquilo não fazia sentido para esses cristãos questionadores. Se permanecessem em silêncio, iriam se sentir desonestos e frustrados; contudo, se levantassem suas questões, seriam vistos com desconfiança. Alguns desses questionadores, como Martinho Lutero se manifestaram e descobriram que cristãos reflexivos, já àquela altura, não tinham futuro na Igreja.

Aproximadamente cem anos mais tarde, Galileu Galilei olhou através de um telescópio certa noite e viu luas posicionadas como bailarinas em órbita de Júpiter. Logo percebeu que a Igreja estava errada ao sustentar a visão de mundo tradicional, geocêntrica, que havia herdado de Aristóteles e Ptolomeu. Infelizmente, quando passou a questionar abertamente a corrente majoritária, ele descobriu aquilo que Martinho Lutero já sentira na pele: cristãos reflexivos não eram bem-vindos à Igreja.

Uma história semelhante poderia ser contada acerca do célebre evangelista John Wesley, que duvidava daquilo que todos sabiam: que atividades sagradas, como a pregação, precisavam ser desenvolvidas em espaços sagrados, como púlpitos. Por discordar disso, ele foi à porta das minas de carvão do Reino Unido anunciar a salvação em Jesus a trabalhadores que não freqüentavam os templos. Poderíamos falar ainda de crentes reflexivos como Phineas Bresee, fundador dos Nazarenos, que duvidou que pessoas pobres devessem ser evitadas por cristãos honrados. E o que dizer de Menno Simons, o líder dos anabatistas, que discordava da voz corrente de que cristãos deveriam matar outros cristãos em nome de Cristo?

Questionadores contemporâneos, como o pastor Martin Luther King Jr e o bispo Desmond Tutu, duvidaram que a raça fosse um fator de comunhão, e enfrentaram forte oposição por isso. Já líderes como Bill Hybels ou Rick Warren, com suas propostas de uma nova eclesiologia, ou talvez você, com suas idéias ainda não devidamente expostas, também tendem a provocar certo desconforto devido a suas posturas... Os heróis que estudamos na história da Igreja começaram como cristãos reflexivos que duvidaram daquilo que todos consideravam ser o óbvio. Como conseqüência foram, em quase todos os casos, marginalizados. Quando comunidades habitualmente marginalizam ou excluem seus membros mais reflexivos – aqueles que fazem perguntas difíceis sobre coisas que são completamente basilares para a maioria –, é claro que os que são estigmatizados acabam feridos.

A comunidade que exclui, no entanto, também é ferida, porque ao agir assim corta da própria pele recursos de crescimento e de renovação. Além disso, constrói resistências exatamente para aquilo que em breve será necessário, o que deixa no ar uma pergunta urgente: quem são os cristãos reflexivos, que talvez sintam que já estão com a camada de gelo bem fina nas margens, ou seja, prestes a serem marginalizados por completo? E o que seria necessário para dizer-lhes que eles são queridos, necessários e respeitados, que a sua diferença não é um problema a ser resolvido por meio da pressão para que se amoldem, mas que sua atitude questionadora é um recurso?

Aqui vai uma sugestão: que esses cristãos reflexivos sejam ouvidos! Tentemos entender suas perguntas, frustrações e novas idéias, mesmo que não concordemos com suas inquietações. Sejamos atenciosos, dando-lhes espaço para serem quem são, mesmo se pensam diferente da maioria. Às vezes, talvez seja preciso se posicionar entre eles e seus críticos mais contundentes a fim de defendê-los das forças que mantêm as fronteiras e promovem a exclusão. Um coração bondoso e um ouvido disposto a escutar podem manter os cristãos reflexivos dentro da comunidade – e, se a renovação vier das margens, como quase sempre parece ser o caso, então, ao amputarmos essas nossas margens, fazemos aquilo que os chefes dos sacerdotes e escribas fizeram quando uma voz necessária apareceu às margens de sua comunidade. Será que estamos escutando seu clamor?

Fonte: http://cristianismohoje.com.br/interna.php?subcanal=25&id_conteudo=563
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August 23, 2012

Domínio próprio

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- Esther Carrenho

Passei toda minha infância no campo, criando animais como cabritos, aves e porcos. Lembro-me de uma leitoa que gostava de furar a cerca do chiqueiro e invadir as plantações dos nossos vizinhos com seus filhotes. Um dia, um agricultor ficou enfurecido ao ver sua plantação destruída e atacou o animal e seus porquinhos com uma foice. Um dos golpes atingiu em cheio a perna traseira de um deles, justamente o malhado que meu pai tinha escolhido para ser meu presente. Quando vi o bichinho ensangüentado, com a pata mutilada, gritei desesperada. Mas meu pai era um camponês muito habilidoso no trato dos animais e conseguiu salvar o porquinho – ele ficou sem parte da uma pata, mas conseguia caminhar com as outras três e fazia tudo que os outros faziam.

Este episódio singelo ilustra bem a forma como lidamos com aquilo que não recebemos ou que nos foi tirado, e também quando dizemos não para algo que desejamos, mas que contraria nossas crenças e valores. E um dos sinais de maturidade – tanto emocional quanto espiritual – de uma pessoa é sua capacidade de superação diante de alguma perda ou de alguma coisa que lhe falta. A incapacidade de ficar sem algo desejável começou no Éden. Lá, Deus deu ao homem e à mulher o usufruto de todo o jardim, com exceção do fruto de uma árvore. O primeiro casal tinha toda a Criação à disposição, mas pôs o foco de seu desejo justamente na árvore proibida. E por isso foi tão fácil para a serpente convencer Eva a transgredir a ordem divina.

Desejos e carências podem ocorrer em diversas situações ou momentos da vida. Atualmente, acredita-se que há necessidades não supridas desde o ventre materno. Assim, sentimentos doloridos ou prazerosos da mãe poderiam afetar o bebê, mesmo que ele ainda seja um feto. Após o nascimento, a criança também está sujeita a uma enorme gama de carências – alguns não serão amados suficientemente; outros não serão aceitos. E desta forma, muitos chegarão à vida adulta com lacunas impossíveis de serem reparadas, simplesmente porque não há como voltar na história. É como a perna aleijada do porquinho: ela existia e até podia ser utilizada, mas sempre seria deficiente.

No decorrer da vida, estamos sujeitos a perdas, acidentes e reviravoltas que podem nos mutilar material, física ou emocionalmente. Às vezes somos lesados nos relacionamentos – é um cônjuge que escolhe alguém mais atraente e mais jovem; é um filho que passa meses e meses sem dar notícias; é uma traição na amizade em que tanta confiança se tinha; e é a tragédia, como a morte prematura que nos arranca uma pessoa querida antes da hora. A má notícia é que muitos, diante do horror da dor e da falta, preferem se desconectar da realidade. Desta forma, nunca experimentarão a integração destas vivências em suas vidas. Lembro-me de um jovem que disse: “Eu sofria muito por não me sentir amado pelo meu pai; então, me anestesiei, excluindo algo de mim junto com essa dor. Hoje, quero acessar partes que são minhas e não consigo.” Felizmente, este jovem buscou ajuda e pôde integrar em si mesmo sua própria história. Ele entendeu que, mesmo não tendo sido amado e compreendido pelo pai, poderia, ao longo da vida, amar e aceitar o amor de outros em toda sua plenitude.

Já a boa nova é que as pessoas que têm coragem de assumir suas carências e mazelas passarão pelo desconforto dos próprios aleijões, mas poderão redefinir a própria vida de forma amorosa e completa. Como cristã, acredito que o Calvário é um bom lugar para irmos com tudo que nos falta. Ao nos aproximarmos do Salvador sob o peso de nossas fragilidades, contemplaremos um Cristo que foi injustiçado e defraudado, de quem quase tudo foi tirado. Só lhe restou, naquele momento, forças para bradar em alto e bom som todo seu desamparo. No Calvário, encontramos Cristo sacrificado, humano como nós, e que pode caminhar conosco aliviando a dor daquilo que nos falta. E pela sua ressurreição nos dá satisfação plena.

Aprender a caminhar sem negar e conviver com as próprias carências é necessário para que sejamos mais amorosos e compassivos com aqueles que sofrem por não receberem o essencial para a vida. Quem consegue conviver com alguma necessidade não suprida terá mais recursos para desfrutar do que lhe está disponível e administrar os desejos egoístas, como a busca desenfreada por prazer, poder e satisfação. Desta forma, sem negar os desejos, é possível destroná-los, subsistir numa eventual falta e ainda escolher a ação que menos danos trará às pessoas que estão à volta.

A proposta do Cristianismo é que não neguemos os desejos, mas que os tenhamos sob controle, mesmo que isso signifique a carência de algo tido como importante. Quando Jesus alertou seus seguidores acerca da necessidade de dominar o pecado, ele o faz usando como simbologia o corpo – segundo o Mestre, é melhor entrar no Reino dos Céus sem um olho ou uma perna do que ficar inteiro e se perder.

Fonte: http://www.cristianismohoje.com.br/materia.php?k=542
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August 22, 2012

A luta

Ninguém disse que a vida seria fácil

- Russell Shedd

Freqüentemente, colegas comentam sobre a luta que enfrentam. Mas o interesse que, por acaso, esperavam suscitar, não se manifesta. Raras são as pessoas que têm coração suficientemente sensível para chorar com os que choram ou rir com os que riem.

A vida não é fácil. Deus nunca planejou para que ela fosse um mar de rosas. Alguns lutam contra a escassez financeira, pagando contas que somam mais do que um salário reduzido. Se alguém não sofre com um filho rebelde ou tem marido maravilhoso, os amigos procuram saber como sua sorte chegou a ser tão boa, enquanto a deles é tão espinhosa. Se nunca passou pelo sofrimento de um câncer, ou humilhação de um assalto, nunca teve um acidente, nem lutou com um sócio desonesto, Deus deve ter feito acepção de pessoas! Será que não enviou um anjo protetor para não permitir que tropeçasse ou tomasse o caminho errado?

É desagradável lutar. A maioria pacífica deseja evitar combates e guerras. A luta produz neuroses que convencem muitos a procrastinar. É um defeito de caráter comum. Não tendo a coragem de enfrentar o problema, o procrastinador se lança na esperança de que a dificuldade há de passar, tal como passou quando era criança. Não querendo pagar o alto preço necessário para solucionar o problema, aguarda-se o amadurecimento que não chega.

Pense nos adolescentes que não têm respeito pelos seus pais. O problema não aparece de um dia para outro. Se um pai não trata o caso com energia, rapidamente aparecem amigos nada confiáveis. Eles introduzem suas vítimas às drogas, à prostituição e ao crime. Se raciocinamos que Deus não quer que seus filhos sofram, a frustração pode ser um motivo para desistir do Caminho. É muito fácil esquecer das passagens bíblicas que, como em Tiago, mandam considerar motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, uma vez que produzem frutos de maturidade e integridade.

Uma fé verdadeira e profunda descansa no mesmo berço que Miguel de Molinos experimentou há mais de 300 anos: “Seja constante e de boa coragem; pois que, por mais intolerante que você seja consigo mesma, ainda é protegida, enriquecida e amada pelo maior Bem, como se ele não tivesse nada mais a fazer além de guiá-la à perfeição por meio dos mais altos passos do amor; como se você não pudesse se desviar, mas perseverar constantemente, sabendo que você oferece o mais satisfatório sacrifício para Deus. Se, do caos do nada, a onipotência dele produziu tantas maravilhas, o que ele não fará em sua alma, criada à imagem e semelhança dele, se ela se mantiver constante, calma e resignada” (Refrigério para a Alma, p. 150).

As lutas da vida não podem ser evitadas porque somos pecadores. Vivemos num mundo caído. Treinamento transforma um simples homem num guerreiro eficaz. Batalhas não se vencem por temerosos procrastinadores. Determinados e corajosos lutadores não consideram suas vidas preciosas para si mesmos. Seu propósito na vida é vencer para a honra do seu General.

A ARMADURA DE DEUS

O apóstolo Paulo, que passou por inúmeras lutas na sua vida cristã, deu a mais valiosa recomendação para os que querem vencer. “Vistam toda a armadura de Deus para poderem ficar firmes contra as ciladas do diabo, pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades ...Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis...” (Ef 6.10-13).

Em primeiro lugar, é imprescindível cingir-se com a verdade que liberta. A verdade do Evangelho oferece perdão e restauração quando falhamos. A couraça da justiça nos protege do raciocínio, que diz: “Continuaremos pecando para que a graça aumente”. Os pés calçados com a prontidão do Evangelho gera paz quando a ansiedade inunda a alma. O escudo da fé protege o lutador contra as setas do Maligno que queimam o coração com desespero quando nenhuma escapatória humana aparece. O capacete da salvação oferece garantias contra o ódio e a hostilidade que as ofensas naturalmente suscitam. Finalmente, a espada do Espírito prepara para lutar com crescente eficácia. Lutas vencidas no passado prometem maiores vitórias no futuro.

Algumas pessoas se chegam a Cristo com a expectativa de que terão uma vida tranqüila, sem tempestades ou ondas encapeladas. Em lugar da decepção e frustração, dê às lutas boas-vindas. Permita que elas o desmamem do mundo e emprestem um brilho maior ao céu.

Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=67&materia=673
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August 21, 2012

A conversão nossa de cada dia

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Lucas 23.38-43

A conversão é um processo de transformação da mente. Precisamos entender e alimentar em nossa mente alguns princípios. Somente quando entendemos essas verdades é que há transformação em nós, não só de nossos comportamentos, mas de nosso caráter. Porque o comportamento pode ser transformado a partir de regras e punições, sem necessariamente transformação do caráter.

Com Jesus na cruz havia dois criminosos e um deles teve revelação divina, no último instante de sua vida, para entender a Verdade que o libertou. Ele entendeu o que todos devemos entender e que precisamos relembrar a cada dia, como em um processo contínuo de conversão. Esse homem entendeu:

1. Que sua condenação era justa – Precisamos entender que nosso pecado tem como sentença a morte, que somos pecadores, que declaramos independência de Deus, que decidimos nossos caminhos e dissemos que faríamos o mundo funcionar sem Ele. Precisamos confessar que o mundo está do jeito que está porque nós o fizemos assim e não porque Deus nos abandonou. O constante contato com nossa miséria nos fará mais próximos da Graça de Deus e do resultado desse encontro que é sempre a gratidão. Nós merecíamos a morte, mas Ele morreu para nos dar vida. Nada merecemos de bom nesta vida e portanto devemos ser gratos por tudo. Quem não tem consciência diária de seu pecado, passa a se relacionar com Deus fora da Graça, pela via da Lei e dos méritos.

2. Quais eram seus pecados – Ele sabia porque estava pendurado em uma cruz, sabia quais eram seus crimes. Precisamos definir o que é pecado para que possamos focalizar nossa luta e confissão. Acontece que geralmente o que se entende por pecado é apenas quebra de leis e conveniências morais fabricadas pela religião, que estão ligadas a coisas que fazemos contra Deus. O pecado na cosmovisão evangélica se tornou uma ofensa contra Deus, algo abstrato, que culpa a alma e confunde a mente. Mas pecado não é algo cometido contra Deus, como se pudéssemos fazer qualquer coisa que o diminuísse. Pecado afeta e diminui o homem e a criação e por isso desagrada a Deus. Não é que Deus tem vontades e caprichos que são quebrados, mas que seus princípios servem para o bom funcionamento do próprio homem e quando quebrados afetam o próprio homem. Pecado então é o que faz mal a mim e ao próximo. O resto é convenção religiosa e social.

3. Que Jesus estava ao seu lado – E isso é surpreendente, porque sua consciência de pecado era precisa e da justiça em merecer a morte também, mas a visão de sua miserabilidade não o impediu de falar com Jesus, de “apresentar-se a Ele”. Então nossa compreensão da presença de Deus precisa ser revista, para que assim como este homem, tenhamos coragem de falar com Jesus no meio do lamaçal de nossos pecados e de nossa miséria, porque não precisamos nos limpar antes para entrar na presença de Deus, mas enquanto estamos em sua presença é que somos limpos. É quando estamos em pecado que precisamos entrar em sua presença e não quando nos limparmos dele. Isso acontecia no serviço religioso de Israel, quando o sacerdote precisava se purificar para pedir perdão pelo pecado de todo o povo na presença de Deus, mas Cristo já fez isso por nós, Ele é o sacerdote puro que entrou na presença de Deus e de uma vez por todas limpou nossos pecados e por isso o véu foi rasgado.

Creio que há uma só forma de linguagem que nos aproxima de Deus. Ela não prevê nenhuma ordem de comando a Deus como exigência de cumprimento de suas promessas, nem qualquer lamento humano que seja justo em sua argumentação, porque merecemos toda a morte que nossa rebeldia pôde conquistar e nenhuma bondade. Apenas a gratidão de quem assume sua miséria, confessa seus pecados e se vê limpo pela graça é louvor aceitável a Deus.

© 2004 Alexandre Robles

Fonte: http://www.alexandrerobles.com.br/a-conversao-nossa-de-cada-dia/
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August 20, 2012

Tempo de quietude

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- pr. Ricardo Agreste

Eu estava de saída para uma viagem a Santiago do Chile, a fim de participar de uma conferência com pastores e líderes locais. Ainda no aeroporto, aguardando o vôo, conversava com Deus sobre o meu momento de vida. Dentre muitas coisas, pedia ao Senhor sabedoria e orientação diante do cenário que me envolvia. Semanalmente, novas oportunidades surgiam diante de mim; novas demandas emergiam em minha agenda e novas conversas aqueciam meu coração para projetos aparentemente fascinantes.

Estava preocupado diante de tudo aquilo que acontecia. Sei que uma das razões que fazem com que homens e mulheres de Deus acabem por se perder, mesmo que bem intencionados em suas motivações iniciais, é a falta de uma clara percepção acerca do mover de Deus em suas vidas. Muitos passam a entender que toda oportunidade que surge é uma porta aberta pelo Senhor, ou que toda demanda que emerge é um desafio lançado pelo Espírito Santo. Há também aqueles para quem qualquer conversa que lhes aqueça o coração é uma visão de Deus que precisa ser assumida.

Para os que enxergam a vida nesta perspectiva, o mover de Deus acaba se confundindo com o empreendedorismo de nossos tempos ou com o anseio insaciável de nossas almas por sermos tidos como pessoas relevantes diante do mundo. Para gente assim, o mover de Deus sempre as convida para um tempo de ir, correr e vencer. Não existe a possibilidade de o Senhor chamá-las a um tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se. Por isso mesmo, querendo conquistar o mundo, acabam, infelizmente, perdendo a própria alma. Em meio às muitas oportunidades, demandas e desafios, confundem a ação do Senhor com as expectativas do meio ou com os anseios de seus próprios corações.

Na vida do rei Davi, os desertos se tornaram o convite de Deus para um tempo de contemplação e reflexão. Ele era um homem movido por desafios e com constante ímpeto para a ação – por isso, parece que somente em meio às adversidades ele encontrava tempo para redimensionar seu próprio coração. Assim, quando lemos as orações de Davi no livro de Salmos, percebemos um homem sondando sua própria alma e procurando perceber a ação de Deus em sua vida. Em situações de adversidades, dores e aflições, Davi se convencia de que seu Deus não o convidava constantemente a ir, correr e vencer; mas, em algumas ocasiões, o impelia a ficar onde estava, aquietar o coração e renovar sua alma.

Maria, irmã da superativa e dinâmica Marta, viveu uma situação diferente. Em sua vida, o tempo de ficar, aquietar-se e renovar-se não é fruto de uma situação criada por Deus, mas de opções que precisava fazer. Cercada por gente constantemente voltada para a ação, que enxergava cada oportunidade como porta aberta pelo Senhor, cada demanda como um desafio do Espírito e cada conversa como visão de Deus, torna-se normalmente mais difícil encontrar espaço para aquela reflexão espiritual. Mas Maria rompe com seu ambiente, resiste às expectativas que as pessoas à sua volta tinham acerca de si e resolve sentar-se aos pés de Jesus para ouvi-lo. Jesus, por sua vez, encoraja a opção feita por Maria, demonstrando que na caminhada cristã há, sim, tempo de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se.

Mas o maior exemplo de que Deus nos convida a esses momentos encontra-se na própria vida de Jesus. Em seu curto ministério terreno, Cristo tinha um enorme desafio diante de si. As demandas eram inúmeras; as necessidades, infindas, e as frentes de trabalho, imensas. No entanto, vemos nos Evangelhos episódios em que o Filho de Deus sobe montes ou procura lugares desertos a fim de simplesmente ficar, aquietar-se e renovar-se na presença do Pai. Apesar da pressão das multidões, ele afastava-se em submissão ao mover de Deus para um tempo de silêncio e descanso. No entanto, este não era um tempo de contraponto à sua missão – mas sim, um espaço integrante e essencial na mesma.

Durante uma manhã livre naquela viagem a Santiago, um querido e antigo amigo me levou para subir as cordilheiras até um lugar chamado Vale Nevado. Fomos e voltamos conversando sobre muitas coisas. Há muito tempo não tinhamos oportunidade de nos falar. No entanto, em meio às muitas palavras e diante de paisagens fantásticas, deparei-me com uma cena que me chamou a atenção. Do local, podiamos contemplar um enorme e fantástico monte coberto de neve. Seu aspecto era imponente e fascinante. Era impossível passar por ali sem admirá-lo. Mas ainda no mesmo foco de visão, bem mais próximo de nós, na margem da estrada, inúmeras árvores com seus galhos completamente secos contrastavam a imponência e fascínio da montanha branca.

Minha atenção ficou dividida entre as duas cenas contrastantes. Foi então que meu amigo, olhando para aquelas árvores, disse: “Interessante, não? Elas parecem mortas. Quem olha pensa que não resistiram ao inverno. No entanto, estão assim porque, percebendo o rigor da estação fria, concentram suas forças e energias no caule. As folhas caíram e os galhos secaram, mas toda a sua vitalidade encontra-se concentrada no caule. Para elas, agora não é o tempo de florescer, mas de resguardar-se para, no tempo certo, voltar a produzir folhas, flores e frutos. Este é o ciclo da vida.”

Ouvindo aquelas palavras e tendo os meus olhos fixos naquelas árvores, ouvi a resposta de Deus para a oração que havia feito antes de partir do Brasil. Nem sempre é hora de ir, correr e vencer. Existem tempos em que o Senhor nos convida a ficar em sua presença, e ali aquietar nossa mente e renovar nossa alma. Em meio a tantas coisas e situações que nos envolvem, precisamos ter a sensibilidade para perceber que o Senhor, por vezes, não deseja que façamos tudo ou aceitemos todos os desafios. Existe também o tempo em que seu mover nos convida a concentrarmos nossas forças e energias no que é essencial e imprescindível: a nossa relação com ele.

Às vezes, como acontecia na vida de Davi, Deus precisa criar desertos em nossa história para nos convencer desta verdade. Noutras situações, assim como o fez Maria, podemos exercitar nosso poder de decisão contra o meio que nos impele a constante atividade, optando por simplesmente quedar-nos aos pés de Cristo.

Mas também podemos olhar para Jesus e perceber o convite para vivermos em maturidade, integrando este tempo como parte essencial e imprescindível da missão de Deus para as nossas vidas.

Fonte: http://cristianismohoje.com.br/materia.php?k=124
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August 19, 2012

Código de honra

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- Não desonre o nome de nossa família.

Esta foi a frase emitida pelo pai de Kwame Anthony Appiah, autor do livro Código de Honra, quando ele saiu de Gana para a Inglaterra a fim de estudar e escrever sobre etnias, sexualidade e religião.

O senso de honra é a nossa identidade; a necessidade de ocupar uma posição social e ser respeitado pela comunidade.

Honra é honra em qualquer lugar, e não há cultura que justifique a humilhação ou eliminação de um indivíduo.

Na língua axantwi, quando alguém pratica um ato desonroso, dizem que o rosto da pessoa caiu (porque ele olha para o chão, morto de vergonha).

Mas com a globalização, uma cultura pode ser pressionada a rever seus valores.

Na China atual, a honra começa com os pés nus e não mais com a deformação e a dor que envolvem o seu enfaixamento.

E como diz o Eclesiastes, o resto é pura vaidade.
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August 18, 2012

As cinco fases do perdão

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Nessa semana fui à missa de 7o. dia de uma pessoa da família e a mensagem foi sobre o perdão (Mt 18: 21-35).

Achei interessante notar que a ênfase dada pelo padre foi sobre perdoarmos (a liberdade que se conquista por meio da escolha) quando o que mais me incomodou foi a consciência de que nós também temos de pedir - e muito - perdão.

Como é fácil contar as notas promissórias emitidas pelos outros (difícil cancelar), porém mais complicado ainda é admitir que nós também somos agentes do mal (e pedir perdão é quase impossível)!

Passei o sábado refletindo e com o coração pesado, pois vivenciei recentemente as cinco fases: perdoar (consciência do mal feito contra nós), cancelar a dívida (abrir mão de revidar), admitir o mal que fazemos contra os outros (confissão das maldades que praticamos ou imaginamos), pedir perdão (tristeza profunda pela dor causada por nós) e restituição (devolução daquilo que foi despojado).

Pai, misericórdia!

Me ajude (e me capacite a te obedecer) nesta difícil caminhada.
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August 17, 2012

Amo, logo existo

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- Isabelle Ludovico

Contrariando Descartes, a essência do ser humano não é a sua capacidade de pensar, mas a sua capacidade de amar, pois fomos criados à imagem de um Deus que é amor. Amar e ser amado é nosso principal desejo. Descobrir-se amado por Deus e deixar-se amar por Ele são condições básicas para amar o outro como a nós mesmos, nem mais nem menos.

Quem tem uma autoimagem negativa tenta conquistar o amor do outro a qualquer custo, mesmo prejudicando-se. Os egoístas acham que o mundo está sempre em dívida com eles e cobram uma atenção que nunca é suficiente para suprir suas necessidades inesgotáveis. Um amor exagerado é nocivo tanto para quem se sacrifica pelo outro e tende a cobrar esta dedicação quanto para quem é superamado e tende a tornar-se dependente ou sentir-se responsável por uma dívida que nunca poderá ser quitada.

Nosso desejo de amor incondicional é sempre frustrado nos nossos relacionamentos humanos porque nossa capacidade de amar é limitada. Por isso, carregamos desde a gestação feridas que vão se acumulando e afetando nossa compreensão do mundo e de nós mesmos. Os mecanismos de defesa que desenvolvemos vão contribuir para reforçar essas interpretações erradas da realidade. Assim, uma pessoa retraída e insegura tende a achar as pessoas hostis e a sentir-se rejeitada. Ela projeta sua própria desconfiança nos outros e acaba provocando justamente aquilo que mais teme.

Precisamos estar atentos às nossas reações para confrontá-las com a realidade. Se reagimos de forma exagerada é porque existe uma ferida que deve ser reconhecida para ser curada. Os problemas não resolvidos tendem a piorar e reforçar as nossas resistências, tornando-nos cada vez mais defensivos.

Lutamos contra o mal fora de nós sem perceber que ele está em nós. Às vezes, precisamos que outras pessoas nos sinalizem nossas dificuldades relacionais e nos ajudem a enxergar, como num espelho, essas distorções. Infelizmente, as pessoas mais próximas são tão afetadas que dificilmente conseguem ser um espelho imparcial e amoroso. Nesse caso, procurar ajuda terapêutica não é sinal de fraqueza, mas sim de coragem e maturidade.

Recebemos de Deus um tesouro que é a nossa própria vida: o bem mais precioso que possuímos. Não somos responsáveis pela cara que temos, mas sim pela cara que fazemos. Encarar os fantasmas do passado nos ajuda a enfrentar o presente de peito aberto e construir relacionamentos mais maduros. Cada um de nós é único, uma expressão original do amor de Deus, uma obra-prima da Sua criação que foi desfigurada pelo desamor, mas que Ele deseja restaurar através do resgate da Sua paternidade.

O nosso lugar no mundo também é único. Cada um precisa integrar as experiências da sua história para construir a colcha de retalhos que permite entender o sentido da sua vida. Transformar as vivências negativas em aprendizagem e crescimento permite reverter o mal e dar lugar ao bem. A Bíblia nos convida a considerar todas as coisas e reter o que é bom. Isso requer uma seleção das influências vividas, bem como a determinação de escolher aquilo que pode ser construtivo e nos desfazer daquilo que nos prejudica. Muitas vezes tendemos a fazer o contrário. Damos atenção àquilo que nos machuca e negligenciamos o que deu certo.

O equilíbrio emocional se revela na capacidade de ter reações emocionais compatíveis com suas causas. Ele é necessário nos nossos relacionamentos, na definição de nossas prioridades, para balancear razão e emoção, lazer e trabalho, palavras e ações, talentos naturais e dons sobrenaturais, ser e fazer. Ele não se alcança automaticamente, mas precisa ser buscado através de uma avaliação que permite a correção dos nossos rumos.

Ter por objetivo crescer na fé, esperança e amor é uma meta que Deus irá abençoar. A bênção de Deus nos leva a ir além dos nossos limites naturais porque temos acesso à fonte inesgotável que nos supre e transborda em direção ao outro. A fé nos faz enxergar além desses limites, a esperança nos faz confiar na providência divina para superá-los, e o amor dá sentido à nossa vida.

Ter consciência de que somos filhos amados de Deus, criados para vivenciar e expressar este amor, é a chave de uma vida plena e realizada.

Fonte: http://www.revistaenfoque.com.br/index.php?edicao=75&materia=867
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August 16, 2012

Bonequinha de luxo

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- Luiz Felipe Pondé

Não sou daqueles que acha o passado melhor que o presente, mas no cinema americano, às vezes, temo que isso seja verdade. Salvo algumas exceções, claro, como Clint Eastwood ou Debra Granik (autora do grandioso "Inverno da Alma", no original, "Winter's Bone", título maravilhoso), todo mundo só quer fazer filmes para gente com idade mental de cinco anos ou ensinar as pessoas a serem melhores.

Todo artista que quer fazer o mundo melhor com sua arte é mau artista ou mau-caráter. Oscar Wilde suspeitava da poesia sincera e eu, da arte engajada. "Arte do bem" é arte menor e chata.

Revi o maravilhoso "Bonequinha de Luxo", de Blake Edwards, de 1961, com Audrey Hepburn e George Peppard. A última cena, ela arrependida, procurando o gato que abandonara num beco sujo, e, logo depois, os dois se beijando sob uma forte chuva, misturando as lágrimas às gotas que caem do céu, é um louvor ao amor romântico, como redenção de uma vida vazia em meio às ambições de sucesso e reconhecimento social.

Peppard salva a bonequinha de luxo (Hepburn) de uma vida miserável em meio a ansiedade por status e por luxo. A miséria moral é sempre humana, demasiado humana. A grandeza humana, por sua vez, só é verdadeiramente visível diante dessa miséria.

"Bonequinha de Luxo" foge da fórmula idiota dos filmes românticos da atualidade que seguem a chave de sempre ver o homem como um ser insensível, estúpido, mentiroso e incapaz de amar de verdade.

Degrada-se a imagem do homem fazendo dele um macaco inútil. Essa imagem do homem é tão falsa quanto a de que homens gostam de mulheres burras. Mulheres burras, apenas e unicamente quando bonitas, servem para relações curtas, depois cansam. Nem só de pernas vive o homem, mas também do verbo feminino.

O roteiro dessas bobagens é assim: ele se declara, ela se faz de difícil, mas acaba dizendo que o ama, ele se desespera porque ela vai descobrir que ele mentiu em algum momento, ela descobre inevitavelmente sua mentira, o repele sob o signo de que mulheres não suportam mentiras (em si uma mentira) e, finalmente, ele confessa que não presta e ela o aceita de volta sob a promessa dele de que jamais mentirá "again".

Grande exemplo de romantismo para idiotas. O problema com estas fórmulas é que elas humilham o ser humano ao invés de erguê-lo, porque nós só temos alguma dignidade depois de mergulhar no abismo. O abismo (o sofrimento dos heróis) nestes filmes é de brincadeirinha, como tudo mais hoje em dia quando se fala de moral. Vivemos numa época tomada pela fúria de um "bem idiota". O ser humano só revela o que há de melhor nele quando é esmagado.

A "bonequinha" é uma candidata a amante de luxo nos anos 1960 em Nova York, ansiosa por ser amada, mas no fundo morrendo de medo de amar. Ele, um escritor jovem e desconhecido, é um gigolô sustentado por uma milionária entediada. Portanto, ambos são a mesma coisa. Vivem em festas cabeças de riquinhos que mostram o início dos anos 1960, regadas a muito álcool.

O filme mostra como os anos 1960 foram em grande parte um engodo: supostamente liberal e contra o sistema, mas em grande parte apenas uma festa do cabide em que os liberados fugiam de si mesmos o tempo todo. A vida é quase sempre insuportável, e os anos 1960 inventaram uma forma nova de mentir sobre isso: a revolução sexual.

Ele a salva quando a faz perder o medo de investir no amor que um sente pelo outro. A cena do táxi, segundos depois de ela abandonar seu gato na sarjeta em meio a tempestade, é o ápice da tensão dramática: ela joga seu gato na sarjeta como fazia consigo mesma. Desafiada pela fala dele "você é uma covarde", ela rompe o círculo da futilidade afetiva.

A diferença entre este final feliz e o dos filmes atuais é que "nunca mais minta pra mim" é papo de bobo, enquanto que ter medo de amar é coisa de gente grande que sabe o risco que é o amor.

Tristes tempos os nossos nos quais todo mundo dá gargalhada numa festa contínua, fingindo que sexo é "a" questão, quando o verdadeiro desafio é outro.

Diante do amor, sexo sem amor é para iniciantes.

Fonte: http://sergyovitro.blogspot.com.br/2012/08/luiz-felipe-ponde-bonequinha-de-luxo.html
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August 15, 2012

Certezas, silêncio e liberdade

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Quando a gente tem vinte anos, tem tanto a dizer: possui opinião formada sobre tudo, sente-se invencível, capaz de enfrentar qualquer situação, e só tem certezas, inclusive de que o mundo está aí para ser conquistado (e as ferramentas virtuais intensificam ainda mais essa falsa sensação de controle).

Hoje a única certeza que tenho é que não sei nada, e tenho aprendido que é melhor ficar calada do que falar sem ter o que dizer; no entanto, o anseio pela liberdade permanece.

E se a gente não pode ter liberdade para ser quem a gente é, com qualidades e defeitos, nem com as pessoas que a gente ama, qual a graça de ficar junto?

O exercício da tolerância, de aprender a aceitar o diferente, começa em casa.

PS- Você leu a entrevista do Giles Lipovestky na Isto É da semana? Ele fala das fotos que as pessoas postam no facebook: todas iguais, felizes e bem vestidas (até na rede as pessoas não conseguem exercer a liberdade; viramos reféns da tirania da felicidade).
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August 13, 2012

Viver com sabedoria

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- Pr. Ziel Machado
Provérbios 3

5 Confie no SENHOR de todo o coração e não se apóie na sua própria inteligência.
6 Lembre de Deus em tudo o que fizer, e ele lhe mostrará o caminho certo.
7 Não fique pensando que você é sábio; tema o SENHOR e não faça nada que seja errado.
8 Pois isso será como um bom remédio para curar as suas feridas e aliviar os seus sofrimentos.

O versículo 5 é um ‘freio’ de mão na sociedade acelerada que vivemos; um convite para reconhecer Deus em nossos caminhos. Pare e reflita: a confiança não está em você, mas em Deus!

O versículo 6 fala que isto não acontece comparando ou utilizando o conhecimento como técnica, mas reconhecendo a ação de Deus que, mesmo antes de você chegar, já estava lá e está agindo. Pergunta: o que na própria vida aprendi a confiar mais em Deus do que em mim mesmo?

O versículo 7 fala de um conhecimento que não é informação, mas vivência. A sabedoria é aplicada à vida, e por ter origem no temor do Senhor, devemos ter reverência. Serei capaz de reconhecer que tudo depende de Deus ou confiarei no diploma de pós-graduação? Teologia é arte, não é título. Teologia está estritamente ligada à oração, e Jesus ensina pelo exemplo “seja feita a Tua vontade”.

No Salmo 90 Moisés também ensina a orar e avaliar se ao final de cada dia o nosso coração se tornou mais sábio (tome cuidado para não seja uma jornada narcisista, mas uma caminhada com Cristo).

Estude, aprofunde, mas fique atento à sua vida devocional (leitura da Palavra e oração). Você só vai saber se está no foco observando a própria vida de oração. Qual o lugar da oração no seu cotidiano? Enriquece ou é ‘concorrente’? Ore com inteligência, ore com sabedoria!

Você reconhece o que Ele já fez na História? E na vida da sua comunidade (família, igreja) e na sua própria história pessoal? Faça uma checagem.

O versículo 8 fala que quando reconhecemos-O, isto promove saúde e bem-estar em nossos relacionamentos.

Sinais de maturidade:
  • Coerência com os valores do Reino de Deus;
  • Convicções profundas “Que seja feita a Tua vontade”;
  • Reconhecer seus limites e ilusões (sonda-me, vê se há algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno) – o trabalho do Espírito Santo é transformar o personagem em indivíduo, porque a comunhão nunca acontece entre personagens;
  • Saber escolher de maneira consciente, renunciar ao que não é sua vocação (Jesus voluntariamente seguiu em direção à cruz);
  • Saber enfrentar situações difíceis (a vontade de Deus é boa, perfeita e agradável; mas nem sempre é fácil) – dificuldades fortalecem a tua fé, porque você ora para Deus e não para impressionar os outros;
  • Olhar para cada desafio com realismo (enquanto orava no Getsêmani, Jesus viu os amigos dormindo, negando e traindo) – a vida nunca será um mar de rosas, prepare-se: para cada ação do Reino, vai aparecer oposição e ataque inimigo;
  • Oração de entrega total, nunca para sugerir ou resolver o problema (foste fiel no pouco problema, sobre muito problema te colocarei) rs – haverão momentos em que você vai duvidar “Senhor, onde o Senhor está? Não consigo Te enxergar em tudo isto, me ajude a Te discernir!”;
  • Maturidade é fruto de esforço, trabalho, engajamento, compromisso (Deus também usa o improviso, mas na vida cristã a regra é pela via ordinária).
Esdras se comprometeu em oração por 15 anos (buscando a Lei, obedecendo a Lei para depois ensinar a Lei) até acontecer o reavivamento após a reconstrução dos muros, quando ele, Neemias e Zorobabel leram a Palavra ao povo.

No entanto, foi mais fácil reconstruir os muros do que gravar as leis no coração das pessoas, assim como foi mais fácil tirar o povo do Egito do que tirar o Egito do coração de Israel.

Desafio: que a confiança em Deus cresça mais e mais e que você mesmo diminua.

E não se esqueça, você faz parte de uma comunidade. Oramos sempre “Pai Nosso”, nunca Pai meu (a verdadeira teologia é aplicada à vida, e ela é feita de relacionamentos)!
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August 12, 2012

Mostra-nos o Pai

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- Esther Carrenho
  • última conversa pessoal entre Jesus e Filipe (contexto de despedida)
  • personalidade de Filipe: altamente racional, cognitivo, bom de cálculo*, provavelmente hoje seria engenheiro.
* podemos comprovar esta característica no milagre de multiplicação dos pães (Jo 6: 5 a 9), pois Filipe calculou de cabeça o quanto de dinheiro era necessário para alimentar a multidão. Neste episódio vemos o quanto Filipe era razão/cérebro (fez os cálculos imediatamente) enquanto que André era coração/alma (mostrou um começo para o milagre acontecer).

Nesta passagem percebe-se que Filipe sabia que ia perder Jesus, que ele estava triste. E a pergunta dele nos mostra que hoje nós tb temos Deus em nossa companhia e muitas vezes não nos damos conta; não O reconhecemos.

Este diálogo aconteceu na quinta, um dia antes da paixão de Cristo (sexta-santa). E no domingo vemos a mesma coisa acontecer com os discípulos em Emaús (Lc 24: 13-24); eles caminharam com Jesus, mas os seus olhos estavam meio que fechados, impedidos de enxergar, de reconhecer o Senhor.

Jesus se preocupa com o que a gente pensa, sente. O que os discípulos no caminho de Emaús estavam sentindo? Decepção, desolação, frustração, perplexidade (preste atenção nas emoções porque elas sempre nos indicam, dão pistas). E como eles, nós tb podemos deixar estes sentimentos “cegarem” a nossa visão e não reconhecermos que Jesus reina e tem poder! Muitas vezes criamos uma imagem daquilo que é ideal e não enxergamos a realidade. Qual é a visão que vc tem? É a perspectiva humana ou a visão de Deus (1 Co 2:9)?

Em Mt 11: 2-3 vemos João Batista preso por Herodes e ele deprimido pede aos seus discípulos para perguntarem a Jesus se Ele era mesmo o Messias. João Batista estava preso por fazer a coisa certa! Assim como José (Gn 37)! Pessoas justas também sofrem. Jó tb sofreu. Neste mundo vamos passar sofrer injustiças. Às vezes até na igreja.

Outro sentimento que nos cega é o medo. O medo distorce a visão que temos, não conseguimos enxergar a realidade. Em Mc 6: 47-49 os discípulos estavam num barquinho no meio da tempestade e quando Jesus se aproxima, eles não enxergam o Mestre; eles vêem um fantasma. O medo tira a tranqüilidade, ele impede de ver, faz a gente ver assombração onde não tem.

Outro sentimento que impede ver Jesus é a tristeza profunda. Quase todos os milagres as pessoas procuram Jesus, mas no caso da viúva de Naim (Lc 7: 11-12) ela estava tão prostrada na própria dor que nem percebeu Jesus. Se Ele não se aproximasse dela, talvez nunca soubesse que o Autor da Vida estava ao lado dela!

A tristeza impede de enxergar uma saída no fim do túnel. Quando perdemos alguém, nos sentimos impotentes; nesta hora a dor é tão grande que parece que até Deus está morto (“aonde está Deus?”).

Decepção, frustração, depressão, medo, profunda tristeza – tudo isto nos impede de ver o nosso Libertador.

Eu queria que vc refletisse agora: - “Como você lida com estas emoções na sua vida?”

Não fuja construindo defesas fingindo que estes sentimentos não existem. Perdemos o nosso calor, a nossa humanidade. Prefiro estar com alguém que sente, cheio de falhas, do que um santo/legalista que se esconde atrás de uma máscara. Não devemos ter medo destes sentimentos. Porque para tudo Jesus tem uma resposta!

- Para os discípulos de Emaús (Lc 24: 25-35): Ele relembrou, refrescou a memória deles falando sobre os profetas, de tudo o que precisava acontecer; caminhou com eles, aceitou o convite para ficar e dormir com eles. Só depois de dividir o que tinham, no partir do pão é que viram o seu Senhor! Então ganharam uma força extra, ficaram tão felizes que até voltaram para levar esperança aos outros discípulos. “Ele vive! Ele está vivo!”

- Para João Batista (Mt 11: 4-6): Jesus fez milagres e disse aos discípulos de João: - vão até lá e contem o que viram!

- Para a viúva de Naim (Lc 7: 13-15): Ele falou para ela parar de chorar, tocou no morto, trouxe-o à vida e levou-o para a mãe.

- Para os discípulos no barco (Mc 6: 50-52): Ele disse - “Sou Eu, não tenham medo, estou caminhando até vocês!”

Jesus confronta de maneira amorosa, Ele não critica e nem julga.

Para Filipe, Jesus faz um apelo ao seu racional: - “Filipe, há quanto tempo vc está comigo?”

DEUS é particular. Ele trata de maneira única cada filho, Ele é muito criativo.

Jesus Cristo sabia que Filipe não sabia viver desestruturado porque era muito racional, não entende por que tem de perder alguém. Então Jesus fala: - “Eu vou, mas vou deixar o Consolador” (Jo 14: 16-17). Filipe, que sempre precisou que as coisas fossem palpáveis e visíveis, agora precisa de coração! Para receber o Espírito Santo. Porque o Espírito Santo não tem corpo físico apesar de usar as pessoas.

O Senhor caminha conosco nas nossas decepções, nas nossas tristezas, nas injustiças e nos diz que temos alguém que podemos CONFIAR.

Aconteça o que acontecer, mesmo que você não enxergue, mesmo que veja tudo com visão distorcida, que sinta vazio, saiba que Ele está PRESENTE na sua vida através do Espírito Santo e que Ele nunca te condena, mas te acolhe.

Que o Pai esclareça e complete estava VERDADE na sua vida!

Deus te abençoe.
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August 11, 2012

Olimpíadas, lágrimas e dignidade

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Chérie,

não sei você, mas tenho me emocionado bastante nestas Olimpíadas.

Hoje mesmo chorei duas vezes: na apresentação da ginástica artística feminina (em que uma atleta perdeu o equilíbrio da fita e, com lágrimas nos olhos e sabedora que perdera quatro anos de treinamento duro, se despediu com graça e dignidade do público) e com a vitória mais do que merecida da equipe brasileira de vôlei feminino (nem tanto pelo time, mas pelo técnico José Roberto Guimarães, sempre muito humilde, correto e elegante, mesmo depois do quiprocó armado pelo Bernardinho meses atrás).

Talvez eu esteja numa fase sentimental (rs), mas ver que ainda existe gente decente no mundo enche o meu coração de esperança e faz acreditar que ainda vale a pena lutar pelo que é certo.

A lição que fica "é possível manter a dignidade, mesmo em meio a circunstâncias adversas ou pessoas com posturas inaceitáveis".

Um beijo,

KT
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August 10, 2012

Dois tipos de tristeza

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Chérie,

ontem perdi uma pessoa na família e, em direção ao velório, me dei conta que existem dois tipos de tristeza: uma que é resultado da morte, e outra que tem o potencial de gerar vida (II Co 7: 10).

A tristeza que resulta em morte tem um gosto amargo - a sua presença é imanente, pois não enxerga saída.

Já a tristeza que traz vida é transcendente, pois nasce da possibilidade de recomeçar, seja por meio do arrependimento, do perdão ou da chegada de uma nova vida.

Por isto, caso você esteja passando por um perrengue, reflita sobre qual tipo de tristeza você tem sentido: uma tristeza que conduz à morte ou uma tristeza com potencial de recomeço.

Em determinados momentos iremos experimentar os dois tipos. E quando estamos deprimidos, a prostração é tão grande que não é possível diferenciar uma da outra.

Mas não se desespere; você não está só.

Aquiete o coração e, em meio às lágrimas, irá ouvir uma voz suave que diz baixinho no seu ouvido: Você é meu filho, filha amada, em quem deposito todo o meu carinho. Não tenha medo. No mundo você vai sofrer aflições, mas tenha bom ânimo: Eu venci o mundo.

No amor dAquele que faz novas todas as coisas,

KT
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August 09, 2012

O prazer de estar junto x scripts mentais

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- Anônimo

Você já deve ter percebido que muitas das atitudes que tomamos diariamente provêem de receitas prontas em nossa mente, sobre o modo de agir em determinado aspecto. Este roteiro mental que vamos desenvolvendo como o caminho certo para os vários assuntos com que nos deparamos rotineiramente, pode ser chamado também de script mental.

Noto que diversas pessoas reclamam que minha cadela late muito na vizinhança. Aos poucos vou criando um roteiro de como não deixar ela latir, para não incomodar os outros. Desta forma, acabo acreditando que o roteiro, o script que criei, é a "receita perfeita" para que ela não lata, e sempre que não consigo implementar esta receita, me irrito com tudo e com todos, inclusive com a minha cadela, que acaba pagando o pato, e as vezes até apanhando, por causa disto.

A verdade é que com um script mental, ficamos cegos para o resto acreditando que só aquele caminho traçado e percorrido evitará o latido. Na psicologia, é assim que desenvolvemos a neurose. Pois toda vez que saímos do script previsto, temos um ataque de nervos (que vai se ampliando com o tempo). Por outro lado, por que na maioria das vezes esta cadela late? Se prestarmos a atenção, veremos que ela late exatamente porque quer atenção, quer estar junto, quer carinho, quer demonstrar o seu amor por nós. E o mais interessante é que, mesmo depois de ter apanhado, ela nos tratará como se nada tivesse ocorrido, demonstrando todo o seu incondicional amor.

Mas espera um pouco.

Veja se você não tem esta mesma atitude com as pessoas que te cercam! Por exemplo, tracei um script de como minha filha deve se comportar para que considere-a dentro do meu parâmetro do que uma filha legal deve fazer, e de repente, me vejo discutindo com ela, e às vezes até virando a cara na hora em que ela mais precisa de mim, e por quê? No fundo é porque ela fugiu do que considero certo para sua vida em meu script. Mas pera aí, a vida não é dela? E o seu livre arbítrio? Será que ela não está agindo assim porque, como a querida cadela, necessita mais de minha atenção, de meu amor, do meu carinho, e não enxergo outra coisa, a não ser o script que criei para ela?

Este final de semana, meu gato me ensinou algo a este respeito. Fiquei muito bravo com ele, porque miava muito, pulava o muro toda hora e fui desenvolvendo uma raiva por ele. Cheguei a quase judiar dele, com alguns tapas a mais. Pois bem, ontem estava num momento de relaxamento no sofá da sala e deixei-o entrar, depois de muita insistência. Ele entrou pela janela como se nada tivesse ocorrido. Sentei no sofá e ele de pronto pulou no meu colo. Começou com aquela sessão de amassa pão, se ajeitou e deitou no meu colo, com o maior ar de satisfeito. Ao sentir aquela energia de amor, pude nitidamente perceber que, fora aquele meu maldito script para com ele, o que sobrava era o puro amor.

Estes scripts acabam sendo o 1o. degrau para o pré-conceito que podemos desenvolver em vários assuntos. Portanto, às vezes, pare um pouco. Pense se não anda afastando sua esposa, seus filhos, seus parentes, seus melhores amigos, seus animais, em função de um destes scripts. Permita-se deixar um pouco de lado o script e sentir o prazer de estar junto - apenas estar junto - e perceberá que fora isto, o resto é tudo script.
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August 08, 2012

Acorda, Alice ; )!

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Quando a nadadora chinesa de 16 anos bateu o recorde do tempo masculino na piscina e um técnico americano lançou no ar que a atleta asiática poderia estar dopada, os chineses ficaram revoltados com a insinuação.

Porém, quando um brasileiro ganhou a medalha de ouro nas argolas e os chineses quiseram questionar os critérios de avaliação... achei estranho.

Como assim?!

Desde quando a régua de medir os outros é diferente daquela utilizada para medir a gente?

Ou melhor: antes de olhar o cisco nos olhos dos outros, que tal tirar a trave que está no próprio olho (e que de tão grande dá até para fazer gol) rsrs?!

Que mêda dessa carapuça, ops... alegoria, pois serviu direitinho para mim. Falo para meus amigos *viverem o presente no presente* e às vezes me pego atormentando os outros com coisas que não temos controle (o futuro que ninguém pode garantir ou o passado que não pode ser mudado).

Chérie, sabia que o território de atuação do inimigo é no passado (culpa) ou no futuro (ansiedade)?

Por isto, fique atento: receba o presente de viver o presente no presente.

E pare de perder tempo com tudo aquilo que não tem valor (muitas vezes o cão que late a noite inteira nem morde).
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August 07, 2012

Olimpíadas, quando a emoção faz a diferença ; )!

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A vida é feita de ciclos e as Olimpíadas fazem parte de um deles ; )!

E se o objetivo é que cada ciclo seja fértil em ideias, para mim a edição de Londres começou um pouco antes, quando assisti dois programetes sobre um ginasta chinês e um nadador sul africano.

O que me impressionou no atleta oriental era o seu deleite em fazer os exercícios (nem parecia que ia competir, realmente se divertia, além de estar sereno e tranqüilo). E no atleta sul africano foi a empolgação em dividir a piscina de igual para igual com o ídolo Michael Phelps.

Essas pequenas histórias sempre humanizam e aproximam as pessoas. Porque todo ser humano possui um grande desafio, mas só cada um pode escolher o seu.

Ao prestar atenção em cada atleta, posso me inspirar em seus sonhos, lutas, limites, lágrimas e disposição em abrir mão de algo importante para outro maior, de valor imensurável.

Ou também adquirir sabedoria em mudar de estratégia, como fez o nadador Florent Manaudou, o azarão que tirou a medalha de ouro do Cielo (rs). O olhar surpreso do francês e a carinha feliz conquistaram meu coração; )!

Para coroar o feito, uma declaração humilde: "Até agora não consigo acreditar. Nadei sem pressão. Estava mais relaxado, talvez por não ser o favorito. Ainda não nadei minha prova perfeita. Sei que tenho muito o que melhorar nos próximos anos".

E você? Qual o saldo que fica? Tirou alguma lição?

Sim, porque a natureza é sábia: Deus nos deu 2 ouvidos, 2 olhos e apenas 1 boca - para a gente ouvir mais, ver mais e falar menos (rsrsrs)...
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August 06, 2012

Volte a fazer as mesmas coisas

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Lucas 24.13-35

Neste trecho de Lucas, encontramos Jesus em um ato sinalizador de uma realidade eterna. É Deus vindo ao encontro do homem frustrado em seu caminho, desanimado e sem esperança alguma quanto ao futuro. Esta é a história registrada nas Escrituras e esta é a experiência, consciente ou não, de todo ser humano que encontra e é encontrado por Deus.

Também, este texto é uma expressão sincera da falta de significado e uma declaração comovente do desânimo decorrente das frustrações. Ele fala de gente para quem a vida perdeu o sabor, para quem não há esperança, para quem já tentou e não conseguiu e não acredita mais ser possível. E gente que não aceita o caminho do cinismo, mas que sofre com sua situação de letargia existencial.

Porque o texto fala de gente que perdeu o projeto de uma vida, gente que investiu tempo, dinheiro, saúde, criatividade, gente que sonhou, planejou, profetizou e nada aconteceu. Gente para quem o projeto da vida acabou e a vitalidade foi embora também. O mestre morreu e para aqueles homens o projeto de suas vidas morreu.

Gente pra quem os elementos da fé não surtiram resultados, gente que acreditou que se obedecesse aos mandamentos tudo lhe iria bem. Gente que acreditou que a leitura da Bíblia e a oração, feitas diariamente, lhe seriam certeza de sucesso pessoal. Gente que ofertou crendo que lhe seria dado em dobro. Gente que fez tudo como reza a religião e que não encontrou o que esperava. Eles creram que o mestre iria libertar politicamente o povo de Israel, mas ele morreu.

Enfim, de gente que perdeu. Perdeu! Perdeu! É o que diz as notícias dos jornais. Elas se impressionam demais com as últimas notícias e já perderam a paz que é decorrente da notícia maior, da boa notícia. É gente que tem a alma cansada e aflita e que sofre temores constantes da violência generalizada, do mal corrupto institucional, da opressão competitiva do mercado e não consegue mais transcender do mal visível imediato para o bem prometido desde a eternidade. É gente para quem Deus dizer “não temas” não é suficiente. Os homens de Emaús conheciam as Escrituras, as promessas, as histórias de libertação, mas não compreenderam quando a notícia da morte se mostrou mais forte que qualquer evangelho.

Os que voltavam pra casa, desanimados, tomaram a atitude correta. Creio que quando não temos mais força para fazer o que estamos fazendo, que quando nosso projeto acaba, que quando os elementos da fé se tornam rituais vazios de sentido, o melhor é ir embora, é voltar pra casa, é abandonar tudo. Um amigo me disse, dias destes, algo que sei exatamente o que é: “cansei de culto”.

Já vivi esses desânimos. Ambos somos pastores, mas cansamos da religião. E chegou um tempo em que não havia mais o menor sentido na prática sistemática das obrigações religiosas de domingo. Precisávamos abandonar tudo. Eu fiz há tempos e meu amigo está quase fazendo. Precisamos de coragem para enterrar aquilo que já morreu a fim de permitir que algo nasça no lugar.

Deveríamos ter coragem de fechar a Bíblia e guardá-la na gaveta, quando nos cansamos da maneira com que a utilizamos. Chega um dia em que a “letra mata”, em que a cognição sem efeito prático estrangula a percepção de Deus por trás de cada palavra e história lidas.

Chega um dia em que o estudar cientificamente a Bíblia nos torna áridos e burocratas expositores. Chega um dia em que de tanto usá-la como “caixinha de promessas”, como sorteio, jogo de sorte e azar, sucumbimos ao mínimo bom senso de que tal prática é mandinga e não meditação da alma na Palavra de Deus. Chega uma hora em que a alma pede mais do que chavões de auto-ajuda proclamados nos púlpitos, tanto chiques quanto bregas, que servem de efêmero paliativo existencial. Chega uma hora que o gosto amargo na boca é tão forte que o “cheiro” de estudo bíblico incomoda.

Deveríamos ter coragem de não orar, de fazer silêncio, de não aceitar as convenções sociais e religiosas. Para que orar quando não se quer orar? Isso é reza. E é porque é feita sistematicamente em momentos predeterminados pelas tradições religiosas, mas não atravessa sequer o coração de quem ora.

Tenho convicção, sem qualquer temor, de que o melhor remédio para quem perdeu a alegria é o abandono da prática. E Cristo legitimou [afinal, foi ao seu encontro] o abandono dos amigos de caminhada, que deixaram o restante do grupo, deixaram de praticar as mesmas coisas, porque a razão de tudo que era feito havia acabado. O mestre morreu, não há porque continuar.

Quando eles desistiram, quando estavam cansados e decidiram não manter rituais sem qualquer sentido, Jesus se aproximou deles em seu caminho, os ouviu e passou a mostrar o caminho de volta ao sentido da vida.

Então me surpreendi. Depois que abandonei minhas velhas práticas, caminhei existencialmente de volta a Emaús, porque não encontrava mais qualquer sentido naquilo que falava, que fazia. Eu sofria profundamente por não encontrar forças para acordar e fazer as mesmas coisas, até o dia em que decidi não manter mais, abrir mão. A surpresa foi que encontrei Jesus, no mesmo caminho que meus colegas de Emaús e Ele me falou, porque falou a eles, que a maneira de encontrarmos o sentido perdido é o retorno à prática das primeiras coisas.

Ele nos expôs [a eles e através deles a mim] as Escrituras e percebemos que nossos medos de más notícias e das experiências que nos haviam acontecido não encontravam força diante das pacificadoras palavras do nosso Pai. Descobrimos que estávamos de fato perdendo tempo quando a Bíblia nos era livro de receitas de como ter sucesso, caixinha de promessas, estudo de caso, legislação, manual de instrução, ou qualquer coisa parecida. Entendemos que não é nada disso, mas Palavra e vida, vida de Deus.

A Bíblia é poesia e não teologia. Ela é a vida e não aula de anatomia espiritual. Entendemos que lê-la deve ser um ato de oração. E que isso é orar, dialogar com o Deus que falou suficientemente para o bem de nossa alma.

Depois Jesus se sentou conosco à mesa da comunhão e partiu o pão. Nossos olhos foram abertos, houve calor em nosso corpo, uma experiência física e espiritual, como toda experiência com Deus há de ser porque Ele é quem contempla o homem integralmente. A comunhão verdadeira é aquela que faz a ponte entre os elementos da fé e o coração do homem, decretando que o homem só assimila pela experiência. É o amor no partir do pão que ama a alma e concretiza o que Deus descreveu como amor. Quem não ama à mesa da comunhão pode até descrever o amor, mas não ama.

Jesus nos chamou para vivermos o óbvio, a simplicidade. A Bíblia-oração e a comunhão. Eis as mesmas coisas experimentadas por um novo ser, que liberto das coisas velhas, visitado pela novidade da revelação de Deus como Pai, encontra em suas palavras a alegria e a vitalidade e na comunhão com os irmãos a ponte entre a palavra e a vida.

Eu sei que muitos há que estão sufocados porque não encontram mais sentido no que fazem. Gente desanimada e para quem nada funcionou. Gente que fez o que disseram, mas não houve resultado. Gente sem esperança, cansado, oscilando entre o desejo de desistir e o medo das conseqüências.

Quero incentivá-los a que desistam, abandonem, fechem as contas, deixem morrer o que já morreu. Caminhem sozinhos em alguma direção, qualquer que seja, conquanto seja a do seu coração.

Jesus vai se aproximar, não sei quando, nem de que modo, mas Ele se aproxima daqueles que assumem seus desencantos e desistem de tudo. Sei também que quando Ele aparecer dirá para voltar à prática das primeiras coisas, voltar ao seu primeiro amor. Só então haverá vida novamente.

Tenho convicção de que Jesus lhes abrirá as Escrituras e lhes devolverá à comunhão dos irmãos.

Mas se Ele nos fará voltar, por que sair?

Porque apenas quem sai é que consegue avaliar o que poderia ter perdido e somente quem sai é que volta pra ficar. Quem fica vive a vida toda querendo sair.

Pecado não é abandonar o que a maioria diz ser sagrado, não é deixar de fazer as velhas coisas da religião, mas é manter qualquer realidade que já esteja morta ao invés de deixar morrer para ver nascer o novo. Pecado é deixar a semente morta no saco e não deixá-la cair.

Somente quando cai, morta, é que gera frutos.

© 2004 Alexandre Robles

Fonte: http://www.alexandrerobles.com.br/volte-a-fazer-as-mesmas-coisas/
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August 05, 2012

Liberdade ; )!

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Uma das coisas mais gostosas da vida é sentir liberdade.

Sabe aquela sensação de poder ir e vir: estar onde quer estar, com quem você quer, na hora que quer, sem a obrigação de dar satisfação?

Sem o peso da responsabilidade, do ´tem-que´: porque é o que esperam de você, porque todos fazem assim, porque sempre foi assim...

Fazia tempo que não sentia liberdade (às vezes somos livres, mas impomos a nós mesmos jugos desnecessários e não conseguimos experimentar liberdade e alegria).

E como é essencial ter liberdade para viver uma vida plena e abundante ; )!

O mais maluco é quanto mais livres, mais comprometidos ficamos.

Não é um paradoxo?!

PS- Para ouvir a trilha do dia, vai lá: http://www.youtube.com/watch?v=28q6J3P4FKs
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August 04, 2012

Ilusão e orgulho

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O país dos empreendedores

É difícil dizer se nosso sucesso é responsabilidade exclusiva de outras pessoas ou consequência de nossos próprios atos

- DAVID, BROOKS, THE NEW YORK TIMES

"Prezado jornalista da página de Opinião, nos últimos anos, criei uma empresa bem-sucedida. Trabalhei muito e sinto orgulho por tudo o que conquistei. No entanto, agora, o presidente Barack Obama me diz que forças sociais e políticas contribuíram para construí-la. Mitt Romney foi para Israel e disse que as forças culturais explicam as diferenças de riqueza das nações. Estou confuso. Até que ponto meu sucesso me pertence e quanto do meu sucesso vem de forças externas? Assinado: Confuso em Columbus."

Caro Confuso.

Ótima a sua pergunta. Não há uma resposta definitiva para ela.

O ensopado que você é tem muitos chefs: pais, amigos, professores, ancestrais, mentores e, evidentemente, Oprah Winfrey. É muito difícil saber que parcela do seu sucesso deve-se a essas pessoas ou que parcela deve-se a você mesmo. Como disse certa vez um sábio, o que Deus teceu junto, nem múltiplas análises de regressão poderão separar.

Entretanto, essa pergunta tem uma resposta prática e moral.

É a seguinte. Você deve se considerar o único autor de todas as suas futuras realizações e o grato beneficiário de todos os seus sucessos passados. À medida que você passar pela vida, transitará por diferentes fases, procurando descobrir a parcela de crédito que você merece.

Você deveria começar a vida com a ilusão de que controla completamente o que faz. E deveria terminar sua vida com o reconhecimento de que, no total, recebeu mais do que merecia. Quando você tinha 20 e poucos anos, por exemplo, deveria se considerar um super-homem idealizado por Ayn Rand, que é o arquiteto da maravilha que você é.

Essa será a última vez em sua vida em que você descobrirá ser uma pessoa realmente fascinante e, portanto, deve aproveitar a oportunidade. Deve imaginar que você tem o poder de transformar-se totalmente, de um daqueles personagens patéticos de Girls na persona impressionante e confiante de alguém como Jay-Z.

Capacidade de criação. Esse senso de possibilidade liberará energias febris que o impulsionarão para frente. Você será uma daquelas pessoas que eram sócias de todos os clubes no colegial, começou um negócio secundário ainda na faculdade e, depois da conclusão do curso universitário, passou anos realizando bravamente um trabalho empresarial social pelo mundo em desenvolvimento.

Isso não o tornará compreensivo com os fracassos dos outros (como todo feed no Twitter pode atestar), mas lhe dará velocidade suficiente para disparar na corrida da vida. Aos 30 ou 40 anos, começará a pensar como um cientista político.

Terá uma avaliação menor do seu próprio poder e uma avaliação maior do poder das instituições das quais você faz parte.

Ainda confiará em suas capacidades, mas mais na capacidade de navegação e não na de criação. Você se adaptará às regras e às peculiaridades do seu ambiente. Defenderá o que o ensaísta Joseph Epstein chama de "os esnobismos correntes". Compreenderá que a questão fundamental não é o que você quer, mas o que o mercado quer. Por um breve lapso de tempo, você não se importará com as reuniões no café da manhã.

Então, aos 50 e 60 anos, se tornará um sociólogo e compreenderá que as relações são mais fortes do que os indivíduos. Quanto mais alto a pessoa chega, mais tempo ela dedica aos cronogramas e ao pessoal. Como um administrador, você se encontrará na fase de treinador da vida, desfrutando dos sonhos dos seus subalternos. A ambição, como a promiscuidade, é mais agradável quando experimentada vicariamente.

Experiência. Você perceberá que pensa nos seus mentores, novamente consciente de quanto eles moldaram o seu caminho. Embora as emoções das pessoas de meia-idade pareçam ridículas, você ficará sentimental a respeito dos relacionamentos dos quais se beneficiou e daqueles que você está construindo. Steve Jobs disse que sua maior realização foi criar uma companhia, não um produto.

Então, aos 70 e 80 anos, você será como um velho historiador. Sua mente aflorará entre as décadas e depois entre os séculos.

Logo, perceberá o quão profundamente você foi moldado pelas antigas tradições do seu povo - mórmon, judeu, negro ou hispânico. Valorizará o poder que os mortos têm sobre os vivos, porque isso, um dia, será o único poder que lhe restará.

Ficará impressionado com a espantosa importância da sorte - com o fato de ter apanhado esse ônibus e não outro, encontrado essa pessoa e não outra. Em suma, à medida que se chega à maturidade e as perspectivas se ampliam, menor parece o poder dos indivíduos e maior o poder das forças que fluem por meio dos indivíduos.

No entanto, você, sr. Confuso em Columbus, tem razão em preservar seu orgulho pelas suas realizações. Grandes companhias, instituições de caridade e nações foram construídas por grupos de indivíduos que superestimaram enormemente sua própria autonomia.

Como executivo ambicioso, é importante que você acredite que merecerá o crédito por tudo o que realizou. Como ser humano, é importante que saiba que isto não passa de uma tolice.

Fonte: http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-pais-dos--empreendedores-,910896,0.htm
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August 03, 2012

Coragem ; )!

Tempo e tempo

“Então, me disse: Não temas, Daniel, porque, desde o primeiro dia em que aplicaste o coração a compreender e a humilhar-te perante o teu Deus, foram ouvidas as tuas palavras; e, por causa das tuas palavras, é que eu vim.”
Daniel 10:12 ARA

Neste texto, Daniel pranteou por 3 semanas (versos 1 a 3), mas no primeiro dia sua oração tinha sido ouvida. Boas perguntas foram levantadas por um leitor: porque esperar tanto? E a batalha descrita no capítulo? Teria Deus cometido algum erro? Daniel precisava aprender algo?

Não vou responder diretamente, mas tirei lições valiosas para minha vida. Nas situações em que minha oração demorar para ser respondida, seja 1 dia, 1 semana, 2 semanas ou mais (Daniel levou 3 semanas, imagine comigo) eu devo crer que ela foi ouvida no primeiro dia. Isso muda tudo e define meu comportamento. Ou eu creio, ou é melhor largar tudo de lado e seguir minha vida por mim mesmo. Não há sentido em querer seguir a Deus exigindo dEle respostas no meu tempo.

De fato, o tempo de Deus segue Seus próprios critérios, inclusive na maioria das vezes totalmente fora e diferente daquilo que imaginamos e desejamos.

Para ser franco, eu chamo de ato de misericórdia quando Deus responde minha oração como eu quero e no tempo que eu quero. Não há compromisso da parte dEle de fazer assim, pois Ele nunca prometeu isso. Prometeu sim que seria fiel, que não deixaria de ouvir, mas nunca prometeu responder quando eu quisesse. Assim como Daniel, já passei por vários prantos prolongados com a solução dada sem eu saber.

A chave está nas primeiras palavras daquele anjo para Daniel: não temas.

Com Deus é assim: não temas. Se o perfeito amor lança fora todo medo, se de fato tenho fé no invisível, se creio no Deus da Bíblia como digo que creio, só me resta não temer. Algo me espera, e mesmo que aos olhos deste mundo não seja agradável, é o melhor para mim pois é o que Deus tem para mim.

"Senhor, ensina-me a ser obediente e fiel a Ti mesmo quando Tua resposta demorar ou for ruim - aos meu olhos."

- pr. Mário Fernandez

Fonte: http://ichtus.com.br/publix/ichtus/devocional/tempoetempo.html

PS- Precisa de um chacoalhão de amor? Vai lá: http://www.youtube.com/watch?v=67Y1H4MdUxY
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August 02, 2012

Não espere dos outros aquilo que só Deus pode dar

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1 Sm 30
  1. Sucedeu, pois, que, chegando Davi e os seus homens, ao terceiro dia, a Ziclague, já os amalequitas tinham dado com ímpeto contra o Sul e Ziclague e a esta, ferido e queimado;
  2. tinham levado cativas as mulheres que lá se achavam, porém a ninguém mataram, nem pequenos nem grandes; tão-somente os levaram consigo e foram seu caminho.
  3. Davi e os seus homens vieram à cidade, e ei-la queimada, e suas mulheres, seus filhos e suas filhas eram levados cativos.
  4. Então, Davi e o povo que se achava com ele ergueram a voz e choraram, até não terem mais forças para chorar.
  5. Também as duas mulheres de Davi foram levadas cativas: Ainoã, a jezreelita, e Abigail, a viúva de Nabal, o carmelita.
  6. Davi muito se angustiou, pois o povo falava de apedrejá-lo, porque todos estavam em amargura, cada um por causa de seus filhos e de suas filhas; porém Davi se reanimou no SENHOR, seu Deus.
  7. Disse Davi a Abiatar, o sacerdote, filho de Aimeleque: Traze-me aqui a estola sacerdotal. E Abiatar a trouxe a Davi.
  8. Então, consultou Davi ao SENHOR, dizendo: Perseguirei eu o bando? Alcançá-lo-ei? Respondeu-lhe o SENHOR: Persegue-o, porque, de fato, o alcançarás e tudo libertarás.

Chérie,

uma das coisas mais fascinantes na Bíblia é que ela é repleta de histórias que se repetem na sua, na minha, na nossa vida.

E um dos personagens mais apaixonantes e viscerais é Davi.

Davi, que de pastor desprezado se torna rei. Davi, que é um guerreiro valente, mas não tem vergonha em chorar. Davi, um homem de poucas palavras, mas um poeta de coração.

Nesse episódio em particular você tem um vislumbre da sua personalidade.

Davi sai para guerrear, perde uma batalha, chora, fica angustiado com a revolta de seus companheiros que pensam em matá-lo, e agora o mais lindo, quando não tem ninguém para contar, o que ele faz? Ele se fortalece no seu Deus.

Você está passando por um perrengue bravo? Não consegue enxergar uma saída? Não tem com quem contar? Faça como Davi: fortaleça-se em Deus.

Claro, existem momentos em que é preciso dividir a carga. E nossos amigos são presentes do Pai para nos ajudar.

Porém, existem dimensões e problemas que dizem respeito apenas a nós mesmos. E é aí que Deus se revela e a nossa fé é desafiada. Ou seja, os problemas são uma oportunidade de crescermos em graça e sabedoria, e Deus se tornar o nosso Deus.

Eu sei, falar é fácil (difícil é viver).

Mas a verdade é que você não está sozinho no seu vale de lágrimas. O Pai, que promete nunca te deixar ou abandonar, é o mesmo que te sustenta com Sua mão direita e te ajuda.

Por isto chérie, deixe-se ser abraçado por Seu amor. E mais: fique atento ao que Deus vai dizer a você, pois como Davi, o desafio é se levantar e partir para a luta.

Não tenha medo: quem vai na sua frente é o próprio Senhor dos Exércitos (e eu estou aqui, timidamente na retaguarda, cobrindo sua vida em oração ; )!

Bjs,

KT

PS- Para ouvir a trilha do dia, vai lá: http://www.youtube.com/watch?v=9Uhr4n6aY4E&feature=related
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August 01, 2012

O tempo só amplifica o que temos dentro de nós


O Caráter Cristão

- por Russell P. Shedd

Stephen Neill afirmou diante de líderes aspirantes que "o período mais perigoso na vida de um homem é entre seus 40 e 50 anos. A razão é que, nesta fase as fraquezas se tornam aparentes. Por isto é tão importante descobrir agora, enquanto somos jovens, quais são as nossas fraquezas íntimas e tratá-las e não permitir que os anos nos desgastem e tornem evidentes nossas fraquezas justamente na hora em que deveríamos nos tornar líderes e pilares na Igreja" (On the Ministry, Londres, SCM Press, 1952, pp. 34-35).

Mais do que nunca devemos refletir sobre nosso caráter. A queda de um líder não ocorre de um dia para outro, mas, como ovos numa incubadora, os pintainhos devem ser previstos. Somos todos vulneráveis, mas quem se arma contra os inimigos da alma tem chance melhor de vencer que os que não se preveniram.

Adão caiu e juntamente com ele nós todos caímos (Rm 5.12). Esse lapso moral e espiritual de tal forma desfigurou o ser humano que ele vive em contradição consigo mesmo. Nenhuma outra criatura sofreu conseqüências tão devastadoras como o homem. O cão não luta para se dominar, nem aspira melhorar, um gato não cai no vício, nem busca a santificação.

Nós fomos criados para voar no meio das estrelas e rastejamos na lama. Que o homem tem potencial para fazer algum bem não podemos negar; porém, somente o mínimo desse potencial se concretiza em atos de amor.

Observamos um defeito profundo no caráter, uma depravação que contamina todo o seu ser. Paulo lamentava que a conversão não consertou de vez este mal. "Porque eu sei que em mim, isto é na minha carne, não habita bem nenhum, pois o querer o bem está em mim; não, porém o efetuá-lo" (Rm 7.18).

Todo cristão sincero almeja alcançar um caráter excelente e ser uma pessoa aprovada diante de Deus e dos homens (2 Tm 2.15), mas, os escândalos e decepções provocadas por líderes espirituais, devem criar uma desconfiança em nós mesmos.

O Problema: Um Caráter Mal-Desenvolvido

Fortes inimigos conspiram contra os cristãos que aspiram por integridade, confiabilidade, honestidade e transparência. As qualidades que Jesus atribuiu aos bem-aventurados se confrontam com forças antagônicas de tal potência que, se não gozarmos de ajuda divina, não se deve esperar a vitória, Desejo refletir sobre falhas de nosso caráter que devemos combater com especial dedicação.

1. A Soberba

O primeiro inimigo, o mais fundamental, deve ser o orgulho que domina o conceito que criamos de nós mesmos e dos outros. O líder brasileiro tem uma propensão grande para a soberba porque facilmente interpreta seu esforço para vencer os muitos obstáculos na vida como digno de algum mérito.

Um curso superior, uma posição de autoridade sobre os outros, facilmente enche o coração de vaidade, especialmente quando se nota que os colegas e amigos não alcançaram nenhuma posição de influência. A soberba se insinua tão sutilmente que persuadimos a nós mesmos que Deus nos deu uma posição de destaque porque somos melhores do que os outros.

Ecoamos no íntimo a oração do fariseu que se auto-congratulava porque, na sua opinião, merecia reconhecimento da parte de Deus e dos homens. Ficou totalmente cego ao olhar para si mesmo. É tremendamente difícil se auto-avaliar e não concluir que somos melhores do que se poderia esperar.

O Brasil não persegue seus líderes espirituais. O pastor, muitas vezes, tem prestígio na sociedade, até comparável a um profissional liberal.

Mas, as Escrituras advertem contra todo auto-prestígio. A primeira carta a Pedro recomenda: "Cingi-vos todos de humildade, porque Deus resiste aos soberbos, contudo, aos humildes concede a sua graça" (1 Pe 5.6).

O orgulho é antipático ao caráter íntegro, por duas razões. Pimeiro, o soberbo acha-se incapaz de cair. Não toma providências necessárias para fugir das tentações.

Segundo, a soberba cria um desprezo para os outros, tampando efetivamente os seus ouvidos contra as advertências que poderiam levantar uma cerca eficaz contra o leão feroz (1 Pe 5.8).

2. Liberdade Sexual

A censura do regime militar brasileiro acabou com a devolução do poder aos líderes civis. O resultado se observa nos grandes cartazes da revista Playboy adornando nossas avenidas.

Filmes, novelas, vídeos, programas de TV, juntamente com dezenas de revistas nas bancas, nos deixam atônitos pela falta de pudor. O carnaval e as praias brasileiras conspiram juntamente para derrubar a castidade. Haveria um crente sequer que se defende cuidadosamente destes assaltos à mente pura (At. 5.28)? Haveria um cristão que sente-se envergonhado com a beleza do corpo transformado numa cilada de tentação?

O efeito desta guerra acirrada contra a pureza, parece ser destruição da resistência. Antigamente as leis e a própria sociedade protegiam a população desta proliferação de "libertação sexual".

As massas, no dia de hoje, servem de pornografia legalizada em doses que outras gerações achariam incríveis. Torna-se tão natural que parece que voltamos à selva para curtir a nudez! O que é que o cristão deve fazer? Jó disse: Fiz aliança com meus olhos, como, pois, os fixaria eu numa donzela?" (31.1).

Nossa autoconfiança por si mesmo pode nos largar na hora da tentação se não tomarmos as necessárias providências. Não imaginemos que a Davi faltou um bom caráter; mas caiu no adultério numa hora em que descansava confortavelmente no palácio.

Diferentemente de Urias, seu coração retirou-se do campo da batalha física para se entregar ao inimigo dentro de si (2 Sm 11.1-11).

O pecado sexual não nos derruba repentinamente, mas surge de uma atitude relaxada em relação aos apetites e sensualidade. O caráter falha se não tiver princípios firmemente fundados na Rocha. Rigorosa disciplina é pouco diante da força da tentação.

O Pastor David Wong, do Instituto de Liderança Avançada, no Havaí, sugere três princípios para manter discrição sexual:
  • Estabeleça uma linha demarcada para controlar seu relacionamento com mulheres e homens;
  • Cultive um forte relacionamento de amor com sua própria esposa ou marido; e
  • Redima o tempo: não permita que imaginação e fantasia quebrem sua comunhão com Deus.
Jonathan Edwards viveu em harmonia consigo mesmo seguindo várias resoluções. Uma delas vale a pena adotar: "Resolvi, a partir deste momento, e até a minha morte, jamais agir como se a minha vida me pertencesse, mas como sendo total e inteiramente de Deus."

3. Integridade na Área de Finanças

O caráter do cristão se revela na maneira que maneja o dinheiro. Paulo tinha grande receio que a condução das ofertas levantadas nas igrejas de Macedônia e Acaia, para os irmãos pobres da Judéia, trouxesse motivos para questionar sua integridade.

Insistiu que as Igrejas mandassem com ele cinco irmãos para evitar que qualquer possibilidade de acusação ganhasse credibilidade.

Não foi apenas Judas que se aproveitava da tesouraria dos discípulos para satisfazer a sua avareza. Pregadores munidos de escassos escrúpulos apareceram em Corinto para tirar vantagens financeiras "mercadejando a Palavra" (2 Co 2.17).

Paulo se esforçava para sempre ter uma "consciência pura diante de Deus e dos homens" (At 24.16). Hoje o descaso na área de finanças não combina bem com o alto padrão de caráter cristão, segundo a Bíblia.

A avareza é condenada como pecado mortal (1Co 6.10): "Amor ao dinheiro é a raiz de todos os males e alguns, nessa cobiça, se desviaram da fé e a si mesmos se atormentaram com muitas dores" (1Tm 6.10). Paulo foi inspirado por Deus para nos mostrar o perigo que corremos quando permitimos que esse amor idólatra encontre guarida em nosso coração.

Nossa sociedade consumista encoraja contratação de dívidas que a Palavra de Deus proíbe (Rm 13.8 ). A marca do caráter cristão é o contentamento com o que Deus nos dá (1Tm 6.6). Foi parte da disciplina do amadurecimento do caráter de Paulo que o levou a dizer: "aprendi a viver contente em toda e qualquer situação" (Fp 4.11). Jesus falou uma verdade de grande valor para nossos dias: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mt.6.21).

4. Auto-Defesa

Mais uma característica do caráter humano é tentar evitar a dor da culpa e não passar a vergonha de confessar publicamente um pecado escandaloso.

Quem já confrontou um irmão mergulhado nalgum pecado deve esperar, de antemão, uma reação de auto-defesa. Nada mais comum do que um pecador mentir num momento de aperto. Acha melhor esconder a transgressão do que confessá-la e alcançar perdão. E nos casos em que não há meio de escapar da veracidade da acusação, o culpado tenta se defender, minimizando a gravidade de suas ações.

Somente um caráter recriado pelo Espírito Santo tem coragem para confessar: "Eu sou o culpado, e mais ninguém". Assim disse Davi: "Pequei contra ti, contra ti somente pequei, e fiz o que é mal perante os teus olhos..." (Sl 51.4). Um caráter bem nutrido na Palavra e fortalecido pela comunhão com Deus, poderá escapar das cadeias de auto-defesa.

Os bem-aventurados de fato, são os pobres de espírito, os que se sentem grandemente beneficiados quando Deus os humilha e exalta o Salvador. Charles Simeon, pregador destacado de Cambridge durante 54 anos, na virada do século 17 achou que toda pregação deveria ter esta prioridade dupla.

Conclusão

Poderíamos debater durante horas sobre quais são os pecados que mais facilmente proliferam em nossa sociedade. Evidentemente, a cultura influencia atitudes de todos os que foram criados num único ambiente. Sendo, o bom caráter, um conjunto de qualidades apreciadas na cultura, pode-se esperar que a cultura formará atitudes e reações típicas.

Como o cristianismo bíblico faz parte da contra-cultura, devemos definir a melhor maneira de combater as tentações características. Hebreus nos alerta contra o "pecado que tão tenazmente nos assedia" (Hb 12.1).

A formação do caráter, segundo o padrão bíblico, sólido e cheio de convicção na Verdade, deve fazer parte da formação de nossos filhos e ser um alvo prioritário de nossas igrejas.

O caráter se torna mais seguro, se tiver modelos excelentes no pais e nos líderes das igrejas. A glória de Deus brilha mais intensamente em vidas que mostram integridade e buscam a santidade.

Fonte: http://www.lideranca.org/cgi-bin/index.cgi?action=viewnews&id=115
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