November 19, 2014

532 km

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- Vai chover - decreta meu irmão assim que piso os pés em ATA.

No interior é assim: basta olhar o céu para saber como vai ser o dia (diferentemente de SP que concentra as 4 estações num único dia).

São 17h30 e meus pais preferem pedir comida para a gente não pegar chuva.

Pego a bolsa para buscar o jantar. 

- Vai chover. 
- Vou mesmo assim. 
- Leva o guarda-chuva.
- Não consigo carregar guarda-chuva, bolsa e comida tudo junto.
- E se chover? 
- Tomo banho e troco de roupa.  

Na rua, cumprimento as pessoas mesmo sem conhecê-las. E apesar de xexelenta, sinto um olhar de admiração (será por causa da proporção de 7 homens para 3 mulheres? Ou porque aqui o mais importante são as pessoas e não a aparência?).

Passo na casa da manicure para agendar horário, mas ela não atende. Começam a cair as primeiras gotas e algumas pessoas correm para baixo das árvores. 

Mas não eu.

Amo chuva e faço questão de andar de cabeça erguida.

No meio da rua, encontro a Silvana. Ela se dispõe a me atender no feriado. Caminho feliz em direção ao restaurante e encontro um casal querido que acabou de ter o primeiro nenê.

É incrível como tudo aqui é diferente!

São apenas 532 km de SP, mas parece que estou em outro país. O ritmo é diferente (o tempo rende: dá para fazer tanto e com calma), as pessoas são simples mas educadas e a vida acontece.

Será que consigo voltar a viver no interior? 

Claro que sim, a gente carrega o mundo dentro da gente. E se a gente está de bem com a gente, tudo mais - o que nos rodeia - fica melhor.

Pego a encomenda e volto para casa. Meus pés estão cheios de bolhas - não estou acostumada a andar de chinelo. 

Será que consigo me adaptar a esta vida simples?

Jantamos. Sem celular, TV ou música ligada. Apenas nossas vozes. 

Dignidade, uma questão de humanidade. 

Estou exausta, preciso urgente de um banho.

21h. Me preparo para dormir.

Começa a chover.
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