February 27, 2026

O fiel jardineiro


- Ricardo Barbosa

A história bíblica começa e termina com um jardim

Começa com o jardim do Éden, a boa e perfeita criação de Deus, e termina com um jardim/cidade, a nova criação, uma cidade que desce do céu, perfeita em todas as suas formas. O primeiro jardim foi corrompido pela desobediência e pelo pecado. O segundo jardim é a consumação de todo o propósito redentor de Deus.

Essa é uma imagem que precisa ser preservada na mente cristã. 

Tudo o que Deus fez na primeira criação era bom e perfeito, e tudo o que Deus tem feito e fará também é bom e perfeito, e será, no fim de tudo, realizado em sua plenitude. No entanto, entre o Éden e a Nova Jerusalém, o jardim de Deus sofre com as consequências da queda. Ervas daninhas crescem, entulhos são jogados no jardim, a falta de cuidado vai lentamente roubando sua beleza. O que não podemos esquecer é que, embaixo do entulho e do mato que cresceu, ainda há um jardim, e ele continua sendo belo.

É isso que acontece com tudo na vida: amizades, casamento, filhos, igreja. 

Facilmente perdemos a capacidade de ver a beleza porque o lixo é a realidade mais visível. No entanto, como disse G. K. Chesterton: “O mundo nunca sofrerá com a falta de maravilhas, mas apenas com a falta da capacidade de se maravilhar”. A imaginação é o recurso da alma humana de nos maravilhar com a beleza quando o que vemos é apenas mato e entulhos. Um casamento pode entrar num período de desencantamento porque o que os cônjuges veem é apenas a sujeira sobre o jardim, e a sujeira sempre atrai mais sujeira. A imaginação é o que nos permite ver o que não é visível, mas é real. O jardim não deixou de existir, sua beleza não desapareceu, apenas fomos tomados por um feio cenário que passou a dominar a realidade. O que esse casal necessita é do trabalho de um experiente e cuidadoso jardineiro.

O trabalho de limpar, podar, adubar, requer paciência e habilidade

Na minha adolescência, tínhamos um jardim na frente de nossa casa e, bem no meio dele, uma belíssima roseira. Lembro-me de minha mãe, com a tesoura nas mãos, podando a roseira. Era um trabalho duro – a roseira sangrava, os galhos ficavam feios, depois vinha o adubo, a água e, pouco tempo depois, começavam a surgir novos brotos e, em seguida, as rosas com seu perfume suave, cores vivas, pétalas firmes, trazendo a beleza de volta para o jardim.

Nem sempre gostamos do trabalho do fiel Jardineiro. 

Ele não poupa a poda. Ela nos fere e nos faz sangrar, mas é o único caminho para o jardim voltar a ser aquilo para o qual o Criador o criou. As ervas daninhas e os entulhos vão sendo amontoados no jardim pelo nosso descuido, pela cultura que nos enche de bobagens, pela mentira e sedução do engano. Quando o jardim começa a sofrer com a falta de cuidado, talvez por não encontrarmos tempo, por achar que outras coisas são mais importantes naquele momento, outros começam a usá-lo como lixeira. Começamos a reclamar da falta de cuidado do nosso jardim e a admirar o jardim bem cuidado do vizinho. É aqui que mora o perigo.

Tudo o que Deus faz é bom. 

As coisas boas de Deus não têm prazo de validade, permanecem sempre boas. O pecado corrompe, suja e torna o mundo bom de Deus num mundo tomado por ervas daninhas e entulhos. 

Permita que o fiel Jardineiro entre no seu jardim com sua tesoura, enxada e ancinho, e faça seu trabalho, trazendo de volta a beleza do jardim escondido.

Fonte: https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/417/o-fiel-jardineiro
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