May 22, 2026

Vida centrada em Cristo

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- Ricardo Barbosa

A carta que Paulo escreve aos discípulos de Jesus na cidade de Filipos é, na minha opinião, a carta mais pessoal de Paulo. Se queremos conhecer a mente, o coração desse grande apóstolo, precisamos ler essa carta várias vezes, pausadamente, saboreando cada palavra e meditando em cada sentença. 

Nela encontramos as frases mais impressionantes de Paulo, como: “Estou plenamente certo de que aquele que começou boa obra em vós há de completá-la até ao Dia de Cristo Jesus” (1.6); “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (1.21); “Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus” (2.5); “Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (4.4); “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas, diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças” (4.6); “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação” (4.11); “Tudo posso naquele que me fortalece” (4.13); “Recebi tudo e tenho em abundância” (4.18). 

Quando lemos essas afirmações levando em conta que Paulo as escreveu de uma prisão, elas ganham outro peso. O que levou Paulo a dizer, por exemplo: “Tenho tudo e tenho em abundância”? 

Sabemos que ele nada tinha, estava preso, dependia dos amigos que providenciavam agasalhos e outras coisas de que ele necessitava. Podemos encontrar a resposta a essa pergunta na carta.

A vida de Paulo era centrada em Cristo. Ele se considerava um prisioneiro de Cristo, seu maior desejo era que Cristo fosse pregado e glorificado; que, por meio de sua vida e morte, Cristo fosse engrandecido. 

A afirmação que me chama a atenção é quando ele diz: “Para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro”. Como o morrer pode ser um ganho, e não uma perda? 

Para nós, a morte é sempre uma perda, por isso é tão dolorosa. Perdemos pessoas que amamos, lugares que apreciamos. Ela representa uma ruptura. É assim que nos referimos às pessoas que partiram: “Foi uma grande perda”. De fato, foi. 

Mas o que Paulo quis dizer com “lucro”, ganho? Se, para ele, o viver era Cristo, sua identidade, seu valor, motivação, destino, tudo estava centrado na pessoa de Jesus, o que ele mais desejava era ser conformado a Ele

Se morrer é estar plenamente em Cristo, faz todo sentido afirmar que, para ele, o morrer era lucro. O que ele ganharia com a morte? Mais, muito mais, daquilo que ele já tinha: Cristo. Se, para ele, o viver era Cristo, e o morrer era ter muito mais daquilo que ele já tinha, é claro que a morte não significava perda ou ruptura, mas ganho.

Quando o centro de toda a nossa existência é Cristo, quando entendemos que vivemos nEle, por Ele e para Ele, que Ele é a razão de tudo o que somos e fazemos, que nossa alegria está nEle, que Ele é a nossa esperança, nossa paz, nossa segurança, que nosso destino é ser como Eletudo na vida encontra sentido nEle

É por isso que Paulo não se considerava um prisioneiro de César, mas de Cristo; essa era a razão para ele afirmar que tinha tudo e tinha em abundância ou declarar: “Tudo posso naquele que me fortalece”.

Porém, quando, para nós, o viver é minha família, meu trabalho, meu ministério ou qualquer outra coisa, facilmente perderemos a perspectiva, viveremos para proteger aquilo que nos oferece algum sentido para viver, mesmo sabendo que todas essas coisas, em algum momento, serão tiradas de nós.

Quando Cristo vem e ocupa o centro de todas as coisas, quando o Senhor, que venceu o pecado e a morte, torna-se o centro, nada nos será tirado e, assim, poderemos prosseguir para o alvo final: alcançar a maturidade em Cristo e ser conformados a ele.

Fonte: https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/419/a-vida-centrada-em-cristo

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