February 04, 2012

Segundas intenções

.
Chérie,

no finde li o excelente Segundas intenções do rabino Nilton Bonder e separei alguns insights (espero que curta ; )!

Bjs,

KT

Até que ponto os prazeres nos separam de Deus ou do sagrado em nossa essência?

Freud disse que o Ego e o mundo espiritual só podem se desenvolver quando os impulsos são contidos.

Sagrado é a capacidade de conter um impulso justamente quando não há possibilidade de implicações desagradáveis. Quando decisões são praticadas a partir de valores e sensibilidades do que é certo ou errado, abandonamos a dimensão animal e nos elevamos à qualidade humana. O rompimento com o animal estaria justamente não na liberdade de exercer seus impulsos e desejos, mas de contê-los.

O sagrado surge no momento em que uma pessoa santifica (sacrifica) algo que lhe pertence ou que lhe era permitido. Abrir mão de um desejo sem que isto esteja atrelado a alguma forma de sanção produziria o sagrado. Ou seja, o sagrado seria a forma mais sofisticada de liberdade.

O mais poderoso arbítrio do livre-arbítrio é coibir-se.

O ser humano abre mão de sua dependência não pela autonomia plena, mas pela obediência, pela sujeição eleita por arbítrio. O antídoto é o compromisso - naassé ve-nishmá - faremos e então discerniremos. O texto sagrado propõe este ato revolucionário de contracultura à consciência humana que é a de sua suspensão temporária para poder acatar e obedecer antes de discernir.

Ha mais grandeza na escolha por obedecer do que na escolha pelo discernimento. Segundo Martin Buber, há maior importância no compromisso do que no discernimento.

Nas palavras de Rabi Zeira, uma criança aprende a mentir a partir das promessas que os adultos fazem e não cumprem.

Diferença entre o sujeito se expõe à vida quando transgride (Davi) x o defensor presente e em guarda antes que as conseqüências se apresentem (Caim).

Para a consciência existir é preciso ter que interagir com o inesperado, com a lama das estradas da vida.

A vida contempla os lamaçais. Por mais atento que se esteja, mais cedo ou mais tarde você cairá num deles. E quando isto acontecer, vai precisar dos recursos, ou seja, dos cavalos fortes para arrancá-lo de lá. Por isso vale a pena investir em recursos para lidar com as estradas da vida. Provisões de todo tipo - econômica, intelectual e emocional - farão a diferença. Por outro lado, podemos ficar atentos e evitar os lamaçais. É melhor estar preparado para evitar a lama do que fazer esforços para desatolar. Ou seja, nem toda lama da estrada tem que ser experimentada ou testada. Vale a pena se precaver, e isso diz respeito a riscos, falas e feitos desnecessários. Se prestarmos atenção, não repetiremos o que não precisa ser repetido. Se estivermos atentos, não seremos imaturos ao testar limites pagando o preço de ousadias e precipitações. Porém, nos dois casos, não importa o quão vigilante você fica ou quão forte você é, haverá momentos na vida onde ocorrerá o desconforto da lama, pois ela é uma característica da existência.

Diz o Talmude que quatro tipo de pessoas não podem ver a shechiná: o cínico, o hipócrita, o malicioso e o mentiroso.

Conhecer a criança e o ladrão que há dentro de nos é uma tarefa para toda a vida.

Com uma criança, você aprende:
- alegrar-se sem razão alguma
- nunca desperdiçar um único momento da vida
- exigir o que quer em alta voz

Com um ladrão, a:
- fazer seu trabalho secretamente
- se não completar seu trabalho numa noite, voltar na seguinte
- ser solidário com seus companheiros
- arriscar a vida para atingir seus objetivos
- estar disposto a perder tudo por um ínfimo ganho
- estar preparado para suportar dificuldades
- ser dedicado ao seu trabalho sem sequer hesitar em mudar de ofício

(Martin Buber)
.

0 Comments:

Post a Comment

Note: Only a member of this blog may post a comment.

<< Home