December 02, 2016

Pérolas escondidas

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- Ricardo Barbosa

No meio da faxina costumeira de fim de ano, esvaziando gavetas, jogando tralhas no lixo, achei um papel amarelado guardado dentro de um livro. Comecei a ler. Eram algumas orações escritas por membros de nossa igreja numa escola dominical de 30 de setembro de 1990. Pela breve introdução, eram orações dos alunos de uma classe de Escola Dominical que vinha tratando do tema: “O reino de Deus e a Igreja”.

Neste domingo decidiram, não sei por qual motivo, dar uma parada e refletir sobre o que tinham ouvido, analisar a forma como vinham vivendo e responder, nestas orações, como sentiam e o que buscavam. Seguem aqui algumas destas orações:
“Senhor, eu estou chorando pela igreja. Pelo tanto de conhecimento que nós temos e não usamos em benefício do nosso próximo; pela dureza dos nossos corações, resistindo à sua Palavra; pela nossa falsidade, cantando e repetindo versículos que nenhuma transformação produz em nossas vidas; pela nossa falta de compromisso, pela nossa falta de uma visão missionária integral; pelo nosso egocentrismo, nosso individualismo, nossa falta de amor: tanto pelos nossos irmãos quanto por aqueles que, com um misto de satisfação e alegria chamamos de mundanos; pela nossa falta de visão para uma vida de serviço. Que o teu Espírito produza em nós conscientização e arrependimento e que a tua misericórdia, perdão e graça nos alcancem. Amém.” (Luis Carlos)
“Senhor, tu tens sido extremamente amoroso comigo, demasiadamente paciente e tolerante, mas tenho que te dizer o que tu já sabes, que tem sido difícil seguir os teus passos, sonhar os teus sonhos e desejar o que tu desejasSei que sou responsável por tudo que acontece comigo e que cada uma das minhas atitudes e decisões trazem consigo conseqüências, às vezes, dolorosas e que não edificam. Tenho que reconhecer que tu tens me dado todas as condições para te louvar e te servir, mas tem sido difícil. Gostaria de te amar com vontade e me alegrar com o teu serviço. Dá-me da tua graça e também do teu poder para efetuar tanto o querer como o realizar. Faz-me ver a alegria de ser teu servo. Livra-me da angústia e tem misericórdia de mim. Amém.” (Romulo)
“Louvado sejas Senhor, pelos irmãos que são companheiros e amigos nos momentos de tristeza e aflição. Obrigada por aqueles, poucos, que não são apenas racionais, mas sensíveis aos outros, que percebem o irmão e se dispõem a dar de si mesmos. Louvado seja por aqueles que andando contigo aprenderam o que é realmente amar. Que não fazem do amor apenas afirmações metafísicas, mas prática de vidaAjuda-me ó Deus a como estes também ser companheira, amiga e verdadeira irmã. Amém.” (Auriana)
“Louvo ao Senhor, meu Deus, porque tens inquietado o meu coração. Tenho me angustiado diante dos propósitos que traçastes para minha vida, pois a vejo passar como um rio cujas águas jamais voltarão e percebo que quase nada tenho feito nesta caminhada. Meu Deus clamo a ti pelas suas misericórdias, pelo seu perdão, por sensibilidade e quietude para ouvir do Senhor qual a atitude que devo tomar. Não é isto nenhum trato que faço contigo, mas um grito da minha alma que não aceita mais esta maneira de viverQuero que continues conduzindo a mim, quero estar sob o seu controle, quero estar preparada para o teu serviço, não quero mais ser uma Marta, quero estar aos teus pés e aprender de ti. Quantas coisas tenho feito, mas não tenho me sentido fiel a ti, tenho sentido que ainda não é o que o Senhor quer de mim. Amém.” (Tininha)
“Senhor reconheço que tenho mal compreendido a sua mensagem para o homem, para mim. Mensagens como liberdade, fé, compromisso, amor e esperança se confundem em minha mente. No meio desses não tenho encontrado uma direção firme para a minha vidaPeço-te que clareies a minha mente para que eu viva em liberdade, com compromisso contigo e com meus semelhantes, exercitando a fé, a esperança e o amorLiberta-me Senhor de forma que perceba a mim mesma e as pessoas que me cercam, de uma maneira total, com suas angústias e alegrias. Dá-me coragem de olhar para dentro de mim. Faça-me ver o que me impede de viver em total liberdade diante do SenhorAgradeço-te que tenho aprendido a olhar o exemplo de Jesus, porém acho difícil seguir este exemplo. Amém.” (Gerda)
Li e reli estas orações. Elas me fizeram perceber algumas realidades da nossa caminhada espiritual e comunitária. A primeira é que as orações, mesmo sendo profundamente pessoais, elas são sempre comunitárias, são sempre expressões do povo de Deus. São orações que pertencem a todos nós, expressam desejos, angústias e esperanças do povo de Deus. A segunda percepção é que mesmo tendo sido feitas há 20 anos, continuam sendo feitas hoje com a mesma sinceridade e paixão. Não precisamos ser sempre inéditos em nossas orações, precisamos perseverar nas que temos feito. A terceira é que quando perseveramos em oração, experimentamos as transformações da graça de Deus

Que Deus nos preserve com o coração e a mente sempre voltados para Ele.
Dos que escreveram as orações alguns continuam conosco (Romulo, Auriana e Tininha), outros mudaram (Luiz Carlos mora hoje em Ribeirão Preto-SP, e a Gerda em Castrolanda, PR).
Fonte: http://www.ippdf.com.br/comunidade/boletim-da-semana/perolas-escondidas/

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