October 07, 2021

Estar vivo nem sempre é sinal de que você está vivendo a vida

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- Luciana Kotaka

Quando estamos no modo sobrevivência não conseguimos aproveitar a vida, pois estamos o tempo todo com medo da escassez, seja de dinheiro, de amor, saúde e de alegria, mas o que não percebemos é que quanto mais tentamos nos proteger, mais vivemos na escassez. Normalmente ligamos a palavra escassez ao dinheiro e nem percebemos como esse comportamento abarca outras áreas da nossa vida, é como se uma coisa puxasse outra, e assim vamos construindo, ou melhor, desconstruindo um mundo de possibilidades.

Sem perceber deixamos de aproveitar vários momentos que poderiam ser felizes e leves, tornando-os pesados e difíceis, justamente por não nos permitirmos viver plenamente os momentos da vida. O medo da falta funciona como uma trava para muitos de nós, pois por algum motivo fechamos o coração na tentativa de não sentirmos dor, e seguirmos a vida acreditando que se retermos sentimentos estaremos mais seguros.

Muitas pessoas passam a vida juntando dinheiro com medo de passar necessidades, outras não expressam o que sentem, porque sentem medo de ficarem vulneráveis, e assim seguem na escassez de alegria, de divertimento e de paixões. Tudo é medido e calculado, a espontaneidade está travada, todo o resto vai sendo abafado dentro do peito. Bancamos os durões, usamos toda a nossa racionalidade para justificar essa não-vida, desenvolvemos argumentos repletos de razões calculadas, e seguimos a vida nesse script sem cor, sem aproveitarmos o tempo precioso que temos nesse mundo. 

Talvez você me diga que o pouco que aproveita é o suficiente, e é claro que pode ser verdadeiro, mas será que é mesmo? Será que não poderia aproveitar mais? Se permitir a experimentar o novo sem que para isso precise exagerar?

Tudo isso é muito profundo, encontramos as raízes desses comportamentos em experiências de muita dor e muita falta, normalmente na infância onde precisamos muito de proteção, afeto e comida. Quando não recebemos esses cuidados básicos não conseguimos sentir segurança, estamos sempre em alerta, desconfiando de tudo, com medo e arredios. A vida até então se mostrou dura, seca, pesada, não há espaço para ficar experimentando o novo, pois não conseguimos mais lidar com a dor, não queremos ficar repetindo momentos que causam frustrações. 

Desta forma seguimos amortecidos, mortos-vivos em plena experiência terrena, mas imaginariamente seguros. Vemos a vida passando e não conseguimos nos destravar, sabemos que perdemos muito, mas não conseguimos parar, parece um vício na dor, não estabelecemos relações saudáveis e duradouras, vamos minando o caminho para assim já romper com qualquer possibilidade de dor futura. 

Esses comportamentos só levam a mais segregação, quanto mais comportamentos evitativos, mais nos fechamos. Um abismo se abre em nosso entorno e seguimos sozinhos, presos na própria história e infelicidade, e acabamos levando junto as pessoas que nos amam e que permanecem ao nosso lado

Não tem como estabelecer uma conexão real a não se entrarmos na dor e aceitarmos abrir mão de nossos próprios sonhos e desejos. 

Quem sabe amanhã quando o sol nascer novamente possamos respirar esse momento mágico e acordar para o que realmente a vida oferece de bom, em meio a tantas histórias difíceis e bagagens pesadasSacudir os espinhos que ficaram grudados em nossos corpos e encarar a luz que está ao seu redor, pois, acredite, a vida é linda e apesar de todos os obstáculos que encontramos no meio do caminho, há muita gente boa por aí, muitas experiências mágicas esperando por você. 

Mas você, meu amigo, precisa permitir-se e saiba que isto é totalmente possível.

Fonte: https://emais.estadao.com.br/blogs/luciana-kotaka/estar-vivo-nem-sempre-e-sinal-de-que-voce-esta-vivendo-a-vida/

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