March 04, 2026

Vida centrada

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- pr. Ricardo Barbosa

A leitura do livro do Apocalipse sempre me leva a reconhecer a importância de um centro na longa jornada cristã, principalmente num tempo e numa cultura que nos envolvem com tanta distração. 

A ausência de um centro nos torna pessoas vulneráveis a todo tipo de manipulação e de emoções confusas e conflitantes. Caminhamos por espasmos, colecionando experiências fragmentadas, sem conseguir integrá-las em torno de um único centro.

Em sua primeira visão, João ouve uma voz e, ao voltar-se para ver quem falava, vê sete candeeiros de ouro e, no meio deles, Jesus. Ele vê Jesus bem no meio da igreja – não ao lado, acima, mas no meioJesus está sempre no centro da igreja.

Numa outra visão, João vê um livro, todo selado, escrito por dentro e por fora, o livro que contém todo o propósito de Deus para a história. Quando percebe que não há ninguém digno de abrir o livro nem desatar os selos, ele chora muito. É consolado com a visão do trono, porque, no meio dele, João vê Jesus, o Cordeiro de Deus

No centro do trono do Universo, está o Cordeiro que foi morto, mas vive e reina eternamente. O único que é digno de abrir o livro. No centro da história não vemos os poderosos, mas Jesus, bem no centro do trono eterno. Todo o livro do Apocalipse nos ajuda a cultivar uma vida centrada, porque no meio, bem no meio de tudo, encontramos Jesus. Ele é o princípio, o meio e o fim de todas as coisas.

A vida centrada nos ajuda a preservar um sentido e uma identidade para as diferentes experiências que vivemos. Ela integra tudo aquilo que o pecado corrompeu e fragmentou. 

Uma afirmação do apóstolo Paulo que nos ajuda a compreender o valor de uma vida centrada está na sua carta aos discípulos de Jesus na cidade de Filipos, quando diz: “Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro” (Fp 1.21). 

Para muitos, vida e morte são realidades distintas, de certa forma opostas; a morte significa a perda de tudo aquilo que experimentamos na vida: amigos, família, prazeres, lugares. A morte implica descontinuidade e, por isso, é tão dolorosa. No entanto, para Paulo, em virtude da vida centrada em Cristo, a morte não implica descontinuidade, mas continuidade, porque, uma vez que para ele “o viver é Cristo”, toda a sua vida gira em torno de um centro: Cristo

Se o viver é Cristo e a morte é a vida com Cristo em sua plenitude, morrer não é perder, mas ganhar; ou seja, é lucro. O que ganhamos com a morte? Mais, muito mais daquilo que já temos: Cristo.

Quando Cristo se torna o Centro de todas as coisas – vida, relacionamentos, igreja, história, política, economia, sexualidade –, tudo é integrado em torno de um Centro, e passamos a viver uma vida concêntrica e não excêntrica. 

Thomas Kelly (1893-1941) foi um missionário e educador quaker que, preocupado com a vida agitada que nos torna ocupados demais para cultivar relacionamentos profundos e verdadeiros, escreveu, em seu livro Um Testamento de Devoção, um capítulo dedicado à “Simplificação da Vida”. Para ele, nosso problema não é externo, mas interno. 

A vida sobrecarregada e estressante reflete a falta de integração interior. Para experimentar a vida abundante que Cristo nos oferece, uma vida frutífera de serenidade e paz, ela precisa ser vivida a partir de um “Centro”. Não simplificamos a vida procurando reorganizar nossas agendas, mas recuperando o Centro.

Fonte: https://www.ultimato.com.br/revista/artigos/418/uma-vida-centrada

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March 02, 2026

Reino e Justiça

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